[Refrão: Dino D’Santiago e Emmy Curl]
6No mei
o da chuva
11No mei
o da chuva, foi
lá que te vi
11Foi lá que te
ouvi, foi lá que te vi
11No mei
o da chuva, foi
lá que te vi
11Foi lá que te
ouvi, foi lá que te vi
[Verso: Valete]
14A chuva em Chelas mar
cou o dia sim
bólico
15Águas a
cair deram um festival sin
fónico
18Entre o
sol e a chuva que fa
ziam o seu im
bróglio
15Co
nheci-te melan
cólico,
olhar insólito
13Não me calava enquanto
tu mal falavas
14Eras de muitos
olhares e
poucas palavras
16Preso no silêncio como o po
eta na praia
15Só te sen
tias livre entre vi
nis de Tim Maia
12Entre os cantos subtis
de Billie Holiday
15Entre a matriz do Soul triste de Mar
vin Gaye
12Vi-te
a germinar i deias matinais
18E a transformá-las em sonho e me
lodias celes
tiais
15Melodias de representação
messiânica
18Que levi
taram o povo como medita
ção xamânica
12Sinatra, dei
xavas todos siderados
20Quan
do assinavas o esti
lo, fazendo ciladas com síla
bas
13Lembro me quando o teu mun
do desfaleceu
16Naquela madrugada em que o ma
no Snake morreu
16Nunca
foste de exteriorizar
o que tens dentro
13Nunca
foste de divulgar
o sofrimento
16Tan
ta gente a querer saber como
é que estavas
15Tu respondias dizi
as sempre que estavas
bem
12Mas eu notava como
tu definhavas
17E vi crescer essa angústia que te
tornava refém
15Nos teus
olhos vi-te es
curo, vi-
te amórfico
14Vi-
te frágil, desalentado,
vi-te mórbido
13E
ra a vida
levar o teu lado dócil
15Hoje eu
sei o que é perder al
guém tão próximo
13Conhe
ço bem esses dias
de escuridão
13A colisão entre a dor
e a solidão
15Conhe
ço bem esses dias que o
caos convoca
14Conhe
ço bem esses dias
de Johnnie
Walker
8Vida tor
nou-se mortei
ra
17Mas
soubeste fazer da tua música uma trin
cheira
15Foi
dessa dor que saíram as melhores ba
tidas
13Dessa dor saíram as rimas mais so
fridas
10Rimas de paixão e desa
pego
15Rimas de um homem que vive no
desassos
sego
11Por
isso tantas rela
ções tentadas
15Foram tantas mulheres, tantas rela
ções falhadas
17Poucas
entendem esse espí
rito heterogé
neo
15Poucas entendem
as inquietações dum gé
nio
13Inquietações de um ser minuci
oso
19Minúcia
que te deixou com
esse estatuto monstru
oso
9MC’s entre holofotes e
damas
15Vendados,
embebedados com 15 mi
nutos de fama
16Per
dem a resistênci
a quando che
gam as barreiras
18Não sabem com que valências
é que se faz uma
carreira
12Ho
je inflamados como um
faraó
14A
manha serão sombras, serão
cinzas, serão pó
12Fornada de Mc’s que hoje vivem por
nada
18Perdidos devi
am estudar, ina
lar a tua jor
nada
620
anos de devoção
1320
anos de esforço, luta e obsti
nação
1520 anos de fé, resistên
cia e persistência
1420 anos de
precisão, rigor e
excelência
12Vê-
os fascinados com
a execução
17Vê-os a
contemplar cada ins
trumental que se desdobra
14E a sedução dos versos na
tua locução
141000
obrigados irmão por toda
a tua obra
[Refrão: Dino D’Santiago]
11No meio
da chuva, foi lá que te vi
11Foi lá que te
ouvi, foi lá que te vi
11No meio
da chuva, foi
lá que te vi
11Foi lá que te
ouvi, foi lá que te vi