Trovante 125 Azul

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6Foi sem mais nem menos
9Que um dia selei a 125 azul
6Foi sem mais nem menos
14Que me deu para abalar sem destino nenhum
12Foi sem graça nem pensando na desgraça
8Que eu entrei pelo calor
13Sem pendura que a vida já me foi dura
9P'ra insistir na companhia
8O tempo não me diz nada
18Nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
8A ponte ficou deserta
8nem sei mesmo se Lisboa
10Não partiu para parte incerta
22Viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
12Sem paredes, sem ter portas nem janelas
8Nem muros para derrubar
9Talvez um dia me encontre
8Assim talvez me encontre
20Curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
25De uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
24que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
22E com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu
9Talvez um dia me encontre
8Assim talvez me encontre
16Entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar
15Um ponto preto quebra-me a solidão do olhar
17Será que existe em mim um passaporte para sonhar
18E a fúria de viver é mesmo fúria de acabar
6Foi sem mais nem menos
9Que um dia selou a 125 azul
6Foi sem mais nem menos
9Que partiu sem destino nenhum
24Foi com esperança sem ligar muita importância àquilo que a vida quer
19Foi com força acabar por se encontrar naquilo que ninguém quer
8Mas Deus leva os que ama
8Só Deus tem os que mais ama