Sergio-godinho O Fugitivo

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8Um homem corre na noite
8É uma imagem banal
7Podia ser em Madrid
10Ou Johanesburgo ou em S.Paulo
10OuBudapeste, Nova Iorque
4OuHollywood
8Ou é claro em Portugal
8Um homemcorre na noite
8É uma imagem banal
8Porque foge? De onde vem?
12Porque olha para trás inquietado?
9Será soldado? Vagabundo?
8Criminoso? Ratoneiro?
17Será apenas o primeiro dos que vão fugir com ele?
8Foge p´ra salvar a pele?
10Só a sua? A pele dos outros?
10A pele clara ou a escura?
12Quanto tempo vai durar a sua fuga?
9Quanto dura? O que espera?
19O que espera o homem-fera se chegar a quem o espera?
10Alguém o quer? Alguém se acende?
5Alguém o chora?
17Alguém por quem ele chorou chorapor ele agora?
8Alguém que nunca o trairá?
7E se sim, onde será?
10Um homem luta contra o sangue
4Que derrama
7E diz: valeu a pena?
4Que os barcos
10Voltem a subir o Guadiana
7Vindos de longe do mar
4Que os barcos
10Voltem a subir o Guadiana
7Vindos de longe do mar
4Que os barcos
10Voltem a subir o Guadiana
9Descarregando à passagem
5Todo o trigo
10Que o cavalo esbaforido
9Chegue à relva, sua cama
16Que o fugitivo encontre seu porto de abrigo
8Um homem corre na noite
8É uma imagem banal
9Esgueirado de holofotes
14Com a estrada que atravessa se confunde
11Com o breu o seu corpo se confunde
9E se passa num muro branco
8Fica branco como a cal
8Tal e qual o camaleão
8É uma imagem banal
14Um homem luta contra o sangue que derrama
13Em que cama teele o seu repouso?
10Está ansioso? E como não?
16Não estaria quem pisasse um desconhecido chão?
23Não estaria de garganta afogueada,quem por nada assim fugisse?
8Quem por tudo suplicasse?
8Dai-me forças, dá-te forças
9A ti próprio te confias
9Dá-te alento, dá-te tempo
4Dá-te dias
9Sobrevive de agonias
8Respirando sobrevives
4Sobrevive
5Um homem vive
9Contra o sangue que derrama
7E diz: valeu a pena?
4Que os barcos
10Voltem a subir o Guadiana
7Vindos de longe do mar
4Que os barcos
10Voltem a subir o Guadiana
7Vindos de longe do mar
4Que os barcos
10Voltem a subir o Guadiana
9Descarregando à passagem
5Todo o trigo
10Que o cavalo esbaforido
9Chegue à relva, sua cama
16Que o fugitivo encontre seu porto de abrigo
8Um homem corre na noite
8É uma imagem banal
9Porque insiste? Porque teima?
8Não há pânico na rua
7Não há fogo no quintal
12Labaredas? Só na cama dos amantes
13Já distantes chegam ruídos, utopias
10Quanto vale uma utopia?
8Vale tudo? Quanto vale?
8Um homem corre na noite
8É uma imagem banal
12O que fez o fugitivo? Porque corre?
10Se está vivo é porque morre
9Se morrer é porque o matam
9Se o matarem, será justo?
14Inocentes são os culpados de outros crimes
4De que culpa?
10De paixão? De inconsciência?
26Será justo ou não será desbaratar a inocência tão a custo conquistada?
14Porque corre o fugitivo nessa estrada?
11E agora pára, pára agora
5O homem pára
10Pára agora, pára agora
13Será que sente que chegou a sua hora?
5É impossível
18Não é possível correr tanto e pensar tão lucidamente
15O coração não aguenta a cabeça também não
13Porque tenta ultrapassar os seus limites?
13Provavelmente é por vontade de viver
4(Quente, quente)
10Que ultrapassa os seus limites
13«Estamos quites!» diz para o seu coração
16«Ainda não, ainda não sentes que valeu a pena?
20Se te obrigam a fugir mais te obrigam a chegar junto de ti
5Valeu a pena
4Que os barcos
10Voltem a subir o Guadiana
7Vindos de longe do mar
4Que os barcos
10Voltem a subir o Guadiana
7Vindos de longe do mar
4Que os barcos
10Voltem a subir o Guadiana
9Descarregando à passagem
5Todo o trigo
10Que o cavalo esbaforido
9Chegue à relva, sua cama
16Que o fugitivo encontre seu porto de abrigo