Sergio-godinho Fado Gago

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End rhyme Internal rhyme
12Fado triste fado negro das vielas
10Onde agora é que são elas
10Encomendaram-me este fado
13"Mas só se for do falado", fado falado?
8Pagam bem e dão trocado
13O fado é pago mas se eu sou gago
8O consigo balbuciar
4(Melhor cantar)
9Mãos caprichosas que sebosas
8Mimoseiam a guitarra
11Mimoseando o fado nefando
5Que se entrenha
13Nas vielas mãos tagarelas indecentes
9Maõs tão juntas, tão ardentes
9Os dedos quentes insolentes
9se amainam na guitarra
14Espera aí já percebi que entoando
10Mesmo falando, mesmo falando
9Se falar como que em verso
10Não gaguejo e até converso
9(Como as tais mãos na guitarra)
7Eram assim essas mãos
9Mãos de ferro e mãos de farra
9Desse Chico de má-vida que
9(P'ra ser fiél à história)
13Andava na boa-vida com a Glória
6E está bom de ver
10Que o mulherio de Alfama
10Que é todo de alta linhagem
14Achava aquilo suspeito, vem de viagem
12Esse Chico marinheiro, todo feito
9E vá de pendurar âncora
8Na varanda da pequena
7(Estão a ver a cena)
9E está bom de imaginar
4(Mesmo sem ver)
7Que dentro desse lugar
15O que tinha a mercearia mesmo em frente
8Tudo era transparente
8O Chico, quando dormia
9Era marinheiro em terra
15Era a paz depois da Guerra, a sua Glória
14Por isso dormiam juntos sem divisória
11Mãos muito sábias tantas lábias
13Nas linhas das quarto palmas são duas almas
11Irmanadas pelas sinas da paixão
4Corpo na mão
11Mão que esvoaça e amordaça
8A sensatez de cada vez
11Que o fado canta esqueço tanta
3Da gaguez
10Mas um dia, há sempre um dia
5(Moeda ao ar)
8A cara e a coroa
13Viram a sorte mudar vamos lá explicar
10É que o Chico, c'a memória
7De ter amor de mulher
8Vez à vez, em cada porto
10Não cuidou de amar a Glória
8Foi-se à fruta no pomar
8Deixou a planta no horto
10Ou seja, resolveu catrafilar
9Toda a mulher que passava
11Na rua para onde a Glória
11E aqui vai mais desta história
15Espreitava, ah, que a Glória é mulher tesa
16Quando viu o Chico rua abaixo rua acima
15Atracado a uma, "Pirua", uma garina
8De resto bem conhecida
8Daquelas que faz p'la vida
16E ela toda pimpante e ele todo galante
10Veio-lhe à boca o ciúme
8E a navalha foi lume
6Brilhando de raiva
9Todo este bairro, que saiba
7Que os dois que ali vão
5Vão ter que morrer
8Ai, vai correr muito sangue
8Eu esfolo, estrafego
5Eu pego nos dois
10Atiro as carcaças ao rio
7E nem olho para trás
5Tudo isto faz
12Alarido e o Chico já ferido
11Só tenta dizer, Glória que fazes?
6Que morro sem quase
9Ter tempo de me arrepender
10Dá-me uma oportunidade
6E nesta cidade
6Eu prometo ser teu
9Eu quero morrer no mar alto
6E depois ir p'ro céu
10Mãos homicidas amanticidas
13Assim eram se não fosse o olhar doce
5Por um instante
9De um homem tão inconstante
10Mãos que da Glória têm o nome
8E em seu nome vão amar
10Eu fico gago com o afago
8Que essas mãos souberam dar
8E o afagar dessas mãos
7Já desenha na pele
7A promessa futura
7Jura, vá, jura que és
6Todo meu 'té ao fim
6Todo, todo de mim
8Glória vou desembarcar
9Dessa vida em que andava
7À deriva no amor
8Chico, os meus braços de mar
8Dão-te abrigo e calor
12E assim acaba esta história
8O Chico c'o a Glória
6Está bom de se ver
7Ambos com vidas atrás
7Vão atrás duma vida
7Em que é tudo viver
9Quem fala assim não é gago
14(Não quero voltar a um assunto encerrado)
5Mas digam-me
6Se eu não sou gago
6E canto o fado