Sam-the-kid Sorri

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End rhyme Internal rhyme
[Intro: Valete]

4Mano, sorri
8Enquanto a vida corre
9Porque um africano morre
9Quando o seu sorriso morre
[Verso 1: Valete & Mário Viegas]

16O colonialismo acabou, independência
14Os tugas ja se foram, bro, a terra é nossa
18Vê como a terra fica mais formosa vestida de negro
16Sem esses tons palidos a destoar nas nossas roças
16Vê como as crianças agora correm sem destino
15Vê como o povo agora não poupa sorrisos
14Já não há empregos, médicos, nem professores
15Não há quadros formados, não temos doutores (Nada)
15Não ha comércio, não ha serviços, não há nada
18Os tugas bazaram, deixaram toda a gente condenada
10Desempregada (We fucked up, hey)
8(Onde estás, liberdade?
11Que a libertação foi decretada)
9Não há nada, nah não é assim
6bem, não é assim
[Verso 2: Valete]

17O colonialismo acabou, por isso não há azar
18Os tugas ja se livraram dos Caetanos e Salazares
19Passado é história, eles são nossos amigos agora
17Emigra p'a Portugal e começa uma vida nova
13Aquilo é Europa, lá todos vivem bem
15Sai desta miséria, vai, tenta ser alguém (Woo)
12Trabalha, poupa dinheiro, faz disso lei
18E depois volta p'á terra rico p'a viveres como um rei

[Bridge: Valete & Dino D'Santiago]

10O colonialismo acabou
10O colonialismo acabou
10O mundo é teu, não sejas refém
11(O mundo acabou, não sejas refém)
[Verso 3: Valete]

15Isto é Lisboa, não ha sol todos os dias (Nah)
14Muito cimento, flora só em fotografias
12Tens compatriotas a construirem vilas
9Que eles que eles chamam ghettos
15Vai viver p'ó pé deles, eles têm os teus enredos
15Tugas dizem que não podes ter outro desenlace
8P'ralém dos trabalhos precários
9Porque só tens a quarta classe
18Mas a maioria dos tugas também só têm a quarta classe
11Diz-lhes que na época colonial
12Eles não queriam que tu estudasses
12(Diz-lhes) que eles so queriam os pretos
8P'a mão de obra escrava
11Os putos sonhavam em ser doutores
11Mas o sistema desinsentivava
10Não stresses, vai trabalhar nas obras
18E vê se não dormes tarde porque tens que acordar a horas
14Entras às 7 horas, sais quando o sol se ausenta
20Vais p'á tormenta diária que todo o africano enfrenta
17P'a carregar centenas de tijolos e baldes de massa
17Levantar vigas, man, como é que o teu corpo aguenta?
15Aguenta, porque tu não podes ter outro trabalho
7Os patrões sabem disso
16E quando lhes apetece nem te pagam salário
10(O colonialismo acabou)

[Refrão: Dino D'Santiago]

9Quando a luz, quando o sonho
10Quando tudo vai, quando a chama
10Quando a força, quando tudo cai
8Só te sobra o sorriso
5Tu e mais ninguém
9Acredita o mundo é teu
5Não sejas refém
[Verso 4: Valete & Gutto]

16Nem tudo é mau, olha como as tugas te adoram
17Susurram que és robusto só com o olhar devoram-te
17Vai e tenta conquistar essa aí da mercearia
15Ela fica sem jeito sempre que lhe dás bom dia
15Pediste-lhe para sair e ela disse "jamais"
6Estranhaste porquê?
11Tu és preto, não sonhes alto demais
16Manca-te, fica aí com a tua compatriota
9Casa-te com ela, tem filhos
10E vê se segues a tua rota
8Tu és preto man, manca-te
12(É ter trabalho nas obras, Mc'Donald's e pouco mais)
[Verso 5: Valete]

19Passaram-se trinta anos e 'tás pobre como 'tavas na terra
20Desempregado, porque trabalho nas obras já não é o que era
17Vieram os brasileiros, vieram os homens do Leste
18Mão de obra barata com bem mais formação que tu tiveste
14Estás fodido, derrotado e abatido
16Afogas-te na bebida até perderes sentido
10Olha p'ó teu ghetto, mais mil como tu
10Olha p'outro ghetto, mais mil como tu
10Tens quatro filhos, três 'tão na prisão
11O outro tem doze e já se gaba
10De ser fodido como os irmãos
12Não era nada disto que tu sonhaste
12Perdeste tudo neste primeiro mundo
8Que tu nunca encontraste
13Mas mano, sorri enquanto a vida corre
18Porque um africano morre quando o seu sorriso morre
13(Mas mano, sorri enquanto a vida corre
9Porque um africano morre
9Quando o seu sorriso morre)

[Refrão: Dino D'Santiago & Gutto]

9Quando a luz, quando o sonho
10Quando tudo vai, quando a chama
10Quando a força, quando tudo cai
8Só te sobra o sorriso
9Tu e mais ninguém acredita
10O mundo é teu, não sejas refém
12(É ter trabalho nas obras, Mc'Donald's e pouco mais)
9Quando a luz, quando o sonho
10Quando tudo vai, quando a chama
10Quando a força, quando tudo cai
8Só te sobra o sorriso
9Tu e mais ninguém acredita
10O mundo é teu, não sejas refém