15Lá vai a Nau Catrineta que tem tudo por contar
17Ouvi só mais uma históri a que vos vai fazer pas mar
16Eram mil e doze a bordo nas contas do escrivão
16Sem contaros galiná ceos sete patos e um cão
16Era lis ta mui sortida de fidal gos passageiros
17Desde mulheres de má vidaa padres e mesteireiros
16Iam todos tão airo sos com seus farneis e merendas
18Mais pareci a um piquenique do que a car reira das Indias
15Ao passarem Cabo Verde o mar deu em encrespar
16Logo viramao que vinham quando a nau deu em bailar
20Veio a cresta do equador e o Cabo da Boa Esperança
17Ondeo velho A damastor subiu o rit mo da dança
17Foitama nha a danação foi puxado o bailarico
17Quem sanfona va a can ção era a mão do mafarrico
20Tinha morrido o pilo to e em febre o ca pitão ardia
18Encantada pela corrente para sul a nau se perdia
17Subia a conta dos dias ficavam podres osdentes
19E eram tan tas as sangrias morriam da cura os doentes
16E o cheiro era tão mau ea fé tão vacilante
18Pareciaque a po bre nau era o inferno de Dante
17Com o leme sem governo e a derro ta já perdida
16Fizeram auto de fé com as mulheres de má vida
16Eforam ti rando à sorte quem havi a de morrer
17Para que o vizinho dolado ti vesse o que comer
15No céu trêsmeninas loiras cantavam um cantochão
15Todasvestidas de tule p'ra levar o ca pitão
17No meio do seu delírio mos trou a raça de bravo
19Teve a inda força na lín gua pa ra as mandar ao diabo
16Neste martírio sem fim ficou o lenho a boiar
18Até que um vento gelado a terra firme o fez varar
16Que di ria o es crivão se pudesse escrevinhar
18Eram mile doze a bordo e doze haviam de chegar
15Ao grande país do gelo com mil cristais a brilhar
16Onde a paz era tão branca só se quiseram deitar
16Naqueles lençois de linho a plumas acolchoados
17E lá dormiram para sempre como meninos cansados
17Ou
16E
16Sem contar
16
17Desde mulheres de má vida
16Iam to
18
15Ao pas
16Logo viram
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17Onde
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17
20
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17Subia a conta dos dias ficavam podres os
19E e
16E o cheiro era tão mau e
18Parecia
17Com o leme sem go
16Fize
16E
17Para que o vizinho do
15No céu três
15Todas
17No mei
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16Neste martírio sem fim ficou o lenho a boiar
18
16
18Eram mil
15Ao grande país do gelo com mil cris
16Onde a paz era tão branca só se qui
16Naqueles lençois de linho a plumas acolcho
17E lá dormiram para sempre como meninos can