[Verso 1: Edi Rock]
14Negro drama, entre o sucesso e a
lama
13Dinheiro, proble
mas, inveja, luxo,
fama
16Negro dra
ma, cabelo crespo e a pele escu
ra
14A feri
da, a chaga, à procura da cu
ra
12Negro drama, tenta ver e não vê
nada
16A não
ser uma estre
la, longe, meio ofus
cada
12Sente o drama, o
preço, a co
brança
14No
amor, no ódio, a
insana vingança
15Negro
drama, eu sei quem trama
e quem 'tá co
migo
18O trauma
que eu carrego pra não ser
mais um preto fo
dido
11O drama da cadeia e fa
vela
13Túmulo, sangue, sirene, choros e
velas
14Passageiro do Brasil,
São Paulo, ago
nia
16Que
sobrevive em meio às honras e covar
dias
11Periferias, vielas, cor
tiços
18Você deve 'tar pensan
do o que você
tem a ver com
isso
13Desde o iní
cio, por ouro e
prata
14Olha quem
morre, então, veja você quem
mata
16Recebe
o mérito, a farda que pratica o
mal
14Me ver pobre
preso ou morto já é
cultural
10Histórias, registros, es
critos
13Não é con
to, nem fábula, lenda ou
mito
14Não foi sempre
dito que preto não tem vez? Então
15Olha o castelo
e não foi você quem fez,
cuzão
12Eu
sou irmão dos meus truta'
de batalha
17Eu era a carne, agora
sou a própri
a navalha
7Tim-tim! Um brinde
pra mim
16Sou exemplo de vitórias, trajetos
e glórias
14O dinheiro tira um homem da
miséria
16Mas não po
de arrancar, de dentro dele,
a favela
12São
poucos que entram em campo
pra vencer
15A al
ma guarda o que
a mente tenta
esquecer
17Olho pra trás, vejo a
estrada que eu trilhei,
mó cota
16Quem 'teve lado a la
do e quem só ficou
na bota
14Entre as
frases, fases e
várias
etapas
13Do
quem é quem, dos mano' e
das mina' fraca
9Hm, negro drama de es
tilo
13Pra ser, se for,
tem que ser; se temer, é
milho
12Entre o gati
lho e a tempes
tade
15Sempre a provar que sou homem e não um co
varde
15Que Deus me guarde, pois
eu sei que ele não
é neutro
15Vigi
a os ricos, mas ama os que vêm do
gueto
12Eu visto
preto por dentro e
por fora
19Guerreiro, po
eta entre o
tempo e a memóri
a, ora
17Nessa história, vejo
dólar e vários qui
lates
15Falo pro
mano que não
morra e, também, não
mate
15O tique-taque não espera, veja o pon
teiro
17Essa es
trada é venenosa e cheia de mor
teiro
11Pesadelo? Hum,
é um elo
gio
14Pra quem vive na
guerra, a paz nunca e
xistiu
14No
clima quente, a
minha gente sua
frio
14Vi um pretinho:
seu caderno era um
fuzil
6Fuzil, negro drama
[Interlúdio: Mano Brown]
11Crime, futebol, música... Ca
ralho!
13Eu também não conse
gui fugir disso,
aí
4Eu sou mais um
5"Forrest
Gump" é mato
14Eu prefiro contar uma his
tória real
6Vou contar
a minha
[Verso 2: Mano Brown]
6Daria um filme
13Uma negra e uma criança nos
braços
16Solitária na floresta de concreto e
aço
14Veja, olha, outra vez, o
rosto na mul
tidão
15A multidão é um monstro sem
rosto e co
ração
11Ei, São Paulo, terra de arranha-céu
16A garo
a rasga a carne, é a Torre de Babel
14Família
brasileira: dois
contra o mundo
13Mãe sol
teira de um promis
sor vagabundo
14Luz, câmera e ação!
Gravando, a ce
na vai
12Um
bastardo, mais um filho
pardo sem pai
14Ei, senhor de en
genho, eu sei bem quem você
é
7So
zinho 'cê num 'guenta
,
9so
zinho 'cê num entra à
pé
14'Cê
disse que era bom e a favela
ouviu
17Lá também tem u
ísque e Red Bull, tênis
Nike e fuzil
17Ad
mito, seus carro' é bonito, é,
e eu não sei fazer
14Inter
net, vídeo-cassete, uns
carro' louco
14Atra
sado eu tô um pouco, sim, tô,
eu acho
17Só que tem
que seu jogo é sujo e eu não me encai
xo
16Eu sou
problema de montão,
de carnaval a carnaval
16Eu vim da selva,
eu sou leão, sou demais
pro seu quintal
14Problema com escola eu tenho
mil, mil fita'
14Inacreditável, mas seu filho
me imita
14No meio de vocês, e
le é o mais esperto
16Ginga e fa
la gíria, "gíria,
não, dialeto!"
10Esse
não é mais seu, ó, fiiiuuu:
subiu
13Entrei pelo seu rádio, tomei, 'cê
nem viu
15"
Nós é isso, é aquilo", o quê?
'Cê não dizia?
13Seu filho quer ser preto, ah!
Que ironia
15Cola o
pôster do 2Pac, aí, que
tal? O que 'cê diz
?
13Sente o negro drama, vai,
tenta ser feliz
11Ei,
bacana, quem te
fez tão bom assim
?
14O que 'cê deu, o que 'cê faz, o
que 'cê fez por mim
?
11Eu recebi seu ti
que, quer dizer, kit
17De esgoto a céu aberto e pare
de madeirite
15De vergonha, eu não morri, tô fir
mão, eis-me aqui
16Você, não, 'cê não passa quando o Mar
Vermelho abrir
15Eu sou humano, homem duro, do
gueto, Brown, Obá
11A
quele louco que
não pode errar
16A
quele que você odeia amar
nesse ins
tante
8Pele par
da e ouço funk
13Vim de onde vêm os dia
mante': da lama
7Valeu, mãe,
negro drama
[Saída: Mano Brown]
17Aí...
Na época dos
barraco de pau lá na Pe
dreira
24On
de 'cês 'tavam?
O que é que 'cês deram por
mim? O que é que 'cês fizeram
por mim?
15Agora 'tá
de olho no dinhei
ro que eu ganho?
15Agora 'tá
de olho no carro que
eu dirijo?
17Demorou, eu que
ro é mais,
eu quero até sua alma
10Aí, o rap fez
eu ser o que sou
8Ice
Blue, Edi
Rock e KL Jay
,
8e toda a fa
mília
21E toda geração que faz o rap, a geração que
revolucionou
12A geração que vai re
volucionar
11Nos anos '90, século 21, é desse
jeito
22Aí, você sai
do gueto, mas o gueto nunca sai de você,
'morou irmão?
24Voce
tá dirigindo
um carro, o mundo todo
'tá de olho em você, 'morou?
15Sabe por quê? Pela
sua origem, 'morou
irmão?
16É desse jeito que você vive, é o
Negro Drama
8Eu não
li, eu não assisti
15Eu vivo o Negro
Drama, eu sou o
Negro Drama
10Eu sou
o fruto do
Negro Drama
23Aí, Dona Ana,
sem palavra', a se
nhora é uma rainha,
rainha
24Mas a
í, se tiver que voltar pra fa
vela, eu vou
voltar de cabeça
erguida
13Porque assim que
é, renascendo
das cinza'
10Firme e forte, guerrei
ro de fé
6Vagabundo nato!