[Verso 1: Mano Brown]
15Um homem na estra
da recomeça
sua vida
14Sua finalidade: a
sua liber
dade
9Que foi per dida,
subtraída
15E quer provar
a si mesmo que realmente mu
dou
12Que se re cuperou e quer viver
em paz
14Não olhar para
trás, dizer ao crime: "
nunca mais"
15Pois
sua infânci
a não foi um mar de rosas,
não
12Na FEBEM, lembranças dolorosas, en
tão
12Sim,
ganhar dinheiro,
ficar rico, enfim
13Muitos mor
reram, sim, sonhando al
to assim
14Me digam, quem é fe
liz, quem não se deses
pera
15Vendo nascer seu
filho no berço da miséria?
13Um lugar onde só tinham como atra
ção
14O bar, e
o candomblé pra se to
mar a benção
19Esse
é o palco da história que
por mim será con
tada
7Um homem na es
trada
[Ponte: Tim Maia]
5Hey,
yeah,
yeah
1Oh
5Hey, yeah, yeah
1Oh
[Verso 2: Mano Brown, Edi Rock , Mano Brown & Tim Maia]
21Equili
brado num barranco incômodo, mal a
cabado e sujo
15Porém,
seu único
lar, seu bem e seu refú
gio
13Um chei
ro horrível
de esgoto no quintal
14Por cima ou por baixo, se chover será fatal
16Um peda
ço do inferno,
aqui é onde eu
estou
9Até o IBGE passou
aqui
6e nunca mais
voltou
15Numerou os barracos, fez uma pá de perguntas
13Logo
depois esquece
ram, filha
da puta
14Acharam u
ma mina morta
e estuprada
10Devi
am estar
com muita raiva (
7Mano, quanta paulada
)
17Esta
va irreconhecí
vel, o rosto desfigu
rado
16Deu meia-noite
e o corpo ainda estava lá
13Coberto com lençol, resseca
do pelo Sol
16Jogado,
o IML estava
só dez horas atrasado
12Sim,
ganhar dinheiro,
ficar rico, enfim
12Que
ro que meu filho nem se lem
bre daqui
17Tenha uma vida se
gura, não quero que
ele cresça
15Com um oi
tão na cintu
ra e uma PT
na cabeça
12E o resto da madruga
da sem dormir
18Ele pen
sa o que
fazer para sair dessa
situação
13Desempregado então, com má
reputação
12Viveu na detenção, ninguém
confia, não
18E a vida desse
homem para
sempre foi danifi
cada
7Um
homem na es
trada
[Ponte: Tim Maia & Mano Brown]
5Hey,
yeah,
yeah
1Oh
5Hey, yeah, yeah
7O homem na es
trada
1(
Oh)
[Verso 3: Mano Brown]
19Amanhece
mais um dia e tudo é e
xatamente igual
8Calor insuportável, 28 graus
14Faltou água, já
é rotina, mono
tonia
15Não tem prazo pra voltar, han, já fazem cin
co dias
13São dez ho
ras, a rua está a
gitada
19Uma ambulância foi
chamada com extre
ma urgênci
a
13Loucu
ra, violência
exagerada
16Estourou a própri
a mãe, estava
embriagado
14Mas bem antes da ressaca e
le foi julgado
16Arrastado pela rua o pobre
do elemento
14Inevitável linchamento,
imaginem só
12Ele ficou bem feio,
não tiveram dó
13Os ricos fa
zem campanha contra as drogas
14E falam so
bre o poder destrutivo delas
16Por outro lado, promovem e ganham muito dinheiro
14Com o álcool que é vendi
do na favela
13Empapuçado ele sai,
vai dar um rolê
15Não acre
dita no que vê, não da
quela maneira
16Crian
ças, gatos, cachorros dispu
tam palmo a palmo
13Seu
café da manhã na la
teral da feira
14Molecada sem futuro, eu já con
sigo ver
15Só vão na escola pra comer, a
penas, nada mais
16Como é que vão a
prender sem in
centivo de alguém
16Sem orgulho e sem respeito,
sem saúde
e sem paz?
13Um mano meu 'tava ganhando
um dinheiro
14Tinha comprado
um carro, até
Rolex tinha
15Foi fuzi
lado a queima roupa no
colégio
14Abaste
cendo a playboyzada
de farinha
11Ficou famoso, virou
notícia
16Rendeu dinheiro aos jornais, han, cartaz à
polícia
18Vinte anos de i
dade, alcançou os primeiros lugares
10Superstar do "Notícias
Populares"
11U
ma semana depois
chegou o crack
11Gente rica por trás,
diretoria
14Aqui, periferia, misé
ria de sobra
16Um salário por dia garante
a mão-de-obra
12A cliente
la tem grana e compra bem
13Tudo em ca
sa, costa quen
te de sócio
14A playboyzada muito louca
até os ossos
13Ven
der droga por aqui, gran
de negócio
12Sim, ganhar di
nheiro, ficar rico
enfim
15Quero um futuro melhor, não
quero morrer
assim
21Num necroté
rio qualquer, como indigente, sem nome e sem
nada
7Um homem na es
trada
[Ponte: Tim Maia]
5Hey,
yeah,
yeah
1Oh
5Hey, yeah, yeah
1Oh
[Verso 4: Mano Brown]
15Assaltos na redondeza levan
taram suspeitas
15Logo acusaram a favela para va
riar
16E o boato que corre é que esse homem
está
13Com o seu nome lá na lista dos suspeitos
9Pregada na parede
do bar
14A noite chega e o clima estranho
no ar
19E ele
sem desconfiar
de nada, vai dormir tranqui
lamente
15Mas na calada, cague
taram seus ante
cedentes
14Co
mo se fosse u
ma doença in
curável
17No seu braço a
tatuagem: DVC, uma passa
gem, 157 na lei
9No seu lado não tem
mais ninguém
12A Justiça Criminal é im
placável
15Tiram sua liberdade, família e moral
13Mesmo
longe do sistema car
cerário
16Te chamarão para sem
pre de ex-
presidiário
15Não
confio na polícia, raça do ca
ralho
14Se e
les me acham
baleado na
calçada
12Chutam minha cara e cospem em mim, é
17Eu sangrari
a até a morte, já e
ra, um abraço
15Por isso a
minha segurança eu mesmo
faço
14É madrugada, parece
estar tudo
normal
14Mas esse homem desperta, pressen
tindo o mal
16Muito cachorro latindo, ele acorda ou
vindo
12Barulho
de carro e passos no quin
tal
15A vizinhança está ca
lada e insegu
ra
14Premeditando o
final que já conhe
cem bem
14Na madruga
da da favela não existem leis
15Talvez a lei do
silêncio, a
lei do cão
talvez
15Vão invadir o seu barraco, "É a polí
cia!"
19Vi
eram pra arre
gaçar, cheios
de ódio e malí
cia
13Filhos da puta, co
medores de carniça
16Já deram minha sen
tença e eu nem 'ta
va na treta
13Não são poucos e já vi
eram muito loucos
15Matar na crocodilagem, não vão perder
viagem
13Quinze caras lá fora, diversos cali
bres
17E eu apenas com uma "treze
tiros" automática
14Sou
eu mesmo e eu, meu Deus e o meu O
rixá
12No primei
ro barulho, eu vou a
tirar
14Se eles me pegam, meu fi
lho fica sem
ninguém
15É o que eles querem:
mais um pre
tinho na
FEBEM
12Sim, ganhar dinhei
ro, ficar rico,
enfim
18A gente sonha
a vida inteira e só acorda
no fim
18Minha verdade
foi outra, não dá mais
tempo pra nada (*
Tiros*)
[Saída: Locutor]
41Homem mu
lato aparen
tando entre vinte
e cinco e trin
ta anos é encontrado morto na estrada do
M'Boi Mirim sem número
21Tu
do indica ter sido
acerto de con
tas entre quadri
lhas rivais
21Se
gundo a polícia, a ví
tima tinha vasta
ficha criminal...