[Verso 1: Mano Brown]
11Essa porra é um
campo mi
nado
13Quantas vezes eu pensei em me jogar
daqui?
16Mas, aí, minha á
rea é tudo o que eu
tenho
16A minha
vida é aqui e eu não consigo
sair
11É muito fácil fu
gir mas eu
não vou
10Não vou trair quem eu fui, quem
eu sou
14Eu gosto de onde eu tô e
de onde eu vim
15Ensi
namento da favela foi muito bom pra mim
14Cada lugar um lugar,
cada lugar uma lei
14Ca
da lei uma razão e eu sem
pre respeitei
11Qualquer jurisdição, qualquer
área
16Jd. Santo Eduardo, Grajaú, Missio
nária
11Funchal, Pedreira e tal, Jo
aniza
14Eu tento advi
nhar o que você mais precisa
13Levantar sua goma ou comprar
uns pano'
11Um advoga
do pra tirar seu mano
10No di
a da visita você diz
14Que eu vou mandar cigarro pros malu
co' lá no x
13Então, como eu tava dizendo, san
gue bom
14Is
so não é sermão, ouve aí, tenho
o dom
13Eu sei co
mo é que é, é foda par
ceiro
15É, a
maldade na cabeça o dia in
teiro
14Nada de roupa,
nada de carro, sem em
prego
13Não tem ibo
pe, não tem rolê, sem di
nheiro
10Sendo assim, sem chance, sem
mulher
13Você sabe
muito bem o que ela quer (É)
14Encontre uma de caráter se você
puder
8É embaçado ou
não é?
13Nin
guém é mais
que ninguém, absoluta
mente
13Aqui quem fala
é mais um sobrevi
vente
15Eu
era só um mo
leque, só pensava em dançar
9Cabelo black e tênis All Star
10Na roda da função mó zo
eira
14Tomando vinho seco em volta da fo
gueira
14A noi
te inteira, só
contando histó
ria
14Sobre o crime,
sobre as treta na es
cola
17Eu não 'ta
va nem aí, nem
levava nada a sé
rio
15Admirava os ladrão e
os malandro' mais velho
14Mas se liga, olhe ao seu re
dor e me diga:
11O que melhorou? da fun
ção quem sobrou?
14Sei lá, muito velório ro
lou de lá pra cá
10Qual a próxima
mãe que vai chorar?
14Ha, demorou, mas hoje eu pos
so compreender
12Que malandragem de ver
dade é viver
11Agradeço a Deus
e aos Orixás
15Parei
no meio do caminho e
nem olhei pra trás
13Meus outros manos todos fo
ram longe demais
11Cemitério São Luiz aqui jaz
13Mas que merda, meu oitão 'tá
até a boca
14Que vida
louca! Por que é que
tem que ser assim?
16On
tem eu sonhei
que um fulano a
proximou de mim
15"A
gora eu quero ver ladrão" (Pá! Pá! Pá! Pá!) e fim
11É, sonho é so
nho, deixa quieto
19Sexto sentido é
um dom, eu tô esperto, morrer é
um fator
21Mas conforme for, tem
no bolso e na agu
lha e mais cinco
no tambor
17Joga o
jogo, vamo' lá,
caiu a oito, eu ma
to a par
14Eu
não preciso de muito pra sentir-
me capaz
13De encontrar a Fórmula Mágica da Paz
[Refrão: Dagô Miranda & Mano Brown]
16Eu vou procurar,
sei que vou encontrar, eu vou procurar
18Eu vou procurar, você não bota
uma fé, mas eu vou
atrás
12Eu vou procurar e sei
que vou encontrar
(
11Da minha fór
mula mágica da
paz
)
11Eu vou procurar, sei que vou encontrar
(
6Procu
re a sua
10) Eu vou procurar, eu vou procurar
8Você não
bota uma fé
(
7Eu vou
atrás da
minha
8) Você não
bota uma fé
12Eu vou procurar e
sei que vou encon
trar
[Verso 2: Mano Brown & Ice Blue]
13Cara
lho, que calor, que ho
ras são agora?
15Dá pra ouvir
a pivetada gri
tando lá fora
9Hoje, acor
dei cedo pra ver
13Sentir a bri
sa de manhã
e o sol nascer
12É épo
ca de pipa,
o céu 'tá cheio
14Quinze anos atrás eu 'tava
ali no meio
15Lembrei de quando era pequeno,
eu e os cara'
13Faz tempo,
faz tempo e o
tempo não para
13Hoje 'tá da
hora o es
quema pra sair
13É,
vamo', não de
mora, mano, chega aí
14'Cê viu ontem? Os tiro' ouvi
um monte, então
12Diz que tem uma pá de sangue no campão
17Ih, mano, toda mão é sempre
a mesma idei
a junto
14Treta, tiro, sangue, aí, muda de
assunto
12Traz
a fita pra ouvir porque
eu tô sem
13Principalmente aquela lá
do Jorge Ben
14Uma pá de mano preso chora a
solidão
13Uma pá de mano solto sem dis
posição
15Empenho
rando por aí, rádio, tênis,
calça
12Acende num cachimbo, virou fu
maça!
14Não é por
nada não, mas aí, nem me li
go, ó
13A minha liberdade eu curto bem melhor
14Eu não tô nem aí
pra o que os outros
fala
11Quatro, cinco, seis preto' num O
pala
15Pode vir gambé, paga
pau, tô na minha na
moral
11Na maior, sem
goró, sem
pacau,
sem pó
13Eu
tô ligeiro,
eu tenho a minha
regra
10Não sou pedreiro, não fumo
pedra
14Um
rolê com os aliados já me faz
feliz
17Respeito mú
tuo é a chave
é o que eu sem
pre quis (
1Diz
)
13Procu
re a sua, a
minha eu vou
atrás
12Até mais, da fórmula mágica da paz
[Refrão: Dagô Miranda & Mano Brown]
16Eu vou procurar,
sei que vou encontrar, eu vou procurar
18Eu vou procurar, você não bota
uma fé, mas eu vou
atrás
12Eu vou procurar e sei
que vou encontrar
(
11Da minha fór
mula mágica da
paz
)
11Eu vou procurar, sei que vou encontrar
(
6Procu
re a sua
10) Eu vou procurar, eu vou procurar
8Você não
bota uma fé
(
7Eu vou
atrás da
minha
8) Você não
bota uma fé
12Eu vou procurar e
sei que vou encon
trar
[Verso 3: Mano Brown]
14Cho
ro e correria no sa
guão do hospital
15Dia das crian
ça', feriado
e luto final
14Sangue e agonia entra
pelo corredor
13"Ele 'tá vi
vo? Pelo a
mor de Deus, doutor"
11Quatro tiros do pes
coço pra cima
12Puta que pariu a chan
ce é mínima
9Aqui fora,
revolta e dor
11Lá dentro estado
desesperador
11Eu percebi quem eu
sou realmente
12Quando eu ouvi o meu
subconsciente:
12"E aí,
Mano Brown, cu
zão? Cadê você?
14Seu mano 'tá mor
rendo o que
você vai fazer?"
17Pode crer, eu me senti inútil, eu me senti pe
queno
11Mais um cuzão vingativo, vai
vendo
13Puta desespero, não dá
pra acreditar
11Que pesadelo, eu
quero acor
dar
13Não dá, não deu, não da
ria de jeito
nenhum
12O Derley era só
mais um rapaz
comum
8Dali a poucos mi
nutos
11Mais uma Dona Maria de
luto
9Na pa
rede o sinal da cruz
17Que porra é
essa? Que mundo é esse? Onde 'tá
Jesus?
10Mais uma vez um emissá
rio
17Não incluiu o Capão Re
dondo em seu itinerá
rio
12Porra, eu tô
confuso, preci
so pensar
12Me dá um tem
po pra eu raci
ocinar
14Eu já não
sei distinguir quem 'tá erra
do, sei lá
12Minha ide
ologia enfra
:
12Preto, bran
co, polícia, ladrão
?
11Quem é mais
filha da puta, eu
não sei
13Aí fudeu, fudeu, decepção essas
hora
13A de
pressão quer me pegar vou sair
fora
92
de novembro era Fi
nados
15Eu pa
rei em frente ao São Luís do outro
lado
15E durante uma mei
a hora olhei um por um
14E o que to
das as senhoras tinham
em comum:
12A roupa humilde, a pele es
cura
13O rosto
abatido pela vida
dura
13Colo
cando flores sobre a sepul
tura
12(Podi
a ser a mi
nha mãe) Que lou
cura
12Cada
lugar uma
lei, eu tô li
gado
15No
extremo sul da Zona Sul tá tudo er
rado
13Aqui vale muito pouco a su
a vida
15A nos
sa lei é falha, violen
ta e suicida
11Se diz que, me diz que,
não se revela:
13Pa
rágrafo primeiro na
lei da favela
13Le
gal, assustador é quan
do se descobre
15Que tudo deu em nada e que só
morre o pobre
13A gente vi
ve se matando irmão, por quê?
13Não
me olha assim, eu sou
igual a você
16Descanse o seu gatilho, descanse
o seu gatilho
15Entre no trem da malandragem, meu
rap é o trilho
3Vou dizer...
[Saída: Mano Brown]
24Pra todas
as famílias aí que perderam pessoas impor
tante, 'morou, meu?
18Não se acostume com esse cotidia
no violento
23Que
essa não é a sua vida,
essa não é a minha vida, 'morou, mano?
9Aí, Derlei, des
canse em paz!
12Aí,
Carlinhos, procure a sua
paz!
26Aí, Quico, vo
cê deixou saudade, 'morou, mano? (
Agradeço à Deus e aos
Orixás)
24Eu te
nho muito a
agradecer por tudo (Agrade
ço à Deus e aos Orixás)
12Eu vou procurar
e sei que vou encon
trar
14Cheguei aos 27, sou um vencedor, 'tá liga
do, mano?
11(A
gradeço à Deus e aos Orixás)
23Aí procure a
sua, eu vou atrás
da minha fórmula mági
ca da paz (
12Eu vou procu
rar e sei que vou
encontrar
)
36Aí, manda um toque na quebrada lá, Cohab, adventista e pá,
rapaziada (Malandragem de verda
de é viver)
10Se liga,
procure a sua paz
16Aqui quem fala é
Mano Brown, mais
um sobrevivente
1527 anos
contrariando as es
tatística', 'morou?
32Procure a sua, você pode
encontrar sua paz, seu
paraíso, você pode encontrar seu in
ferno
6Eu procuro a paz