[Verso]
14Quantos anos pas
saram? Quantos
manos partiram?
16Quantas relações fin
daram? Quantas por
tas se abriram?
15Quantas noites em branco? Quantos di
as sem encanto?
19Quantas vezes fui
franco deposi
tando emo
ções no teu banco?
19Quantas vezes
sorriste, triste, solitário
e cabisbaixo?
17A 220 em pleno
despiste capotando en
costa abaixo
19Neste mundo eu não me encaixo, pensavas pa
ra ti próprio
22Metade de
mim inspira amor, a outra
metade só
atrai ódio!
18É ób
vio que um homem erra, ele não
nasceu perfeito
21Com
defeito de fabrico no fabrico do lado es
querdo do peito
15O meu maior
defeito? A minha mai
or virtude
10Mudo a tempo de vida antes
13Que a própria vida com tem
po me mude
18A verdade não i
lude, procuro que ela
me ajude
23U
ma mente coerente é
nascente fluente da fonte da
juventude
16Dei tudo
o que tinha mas não
sabia ao que vinha
22Como u
ma crian
ça que caminha
na escuridão do vale so
zinha
16Só
minha triste
za que carrego
em peso nos
ombros
24Per
di toda u
ma famíli
a, a inocênci
a soterrada nos es
combros
18Somos tontos
quando pensamos
que só acontece aos
outros
17Loucos quan
do nos roubam
a vida aos poucos, poucos,
poucos
20Tu vi
ve e sen
te te livre, a vontade é um poder e
norme
11Não dei
xes que o medo te trans
forme
13Não dei
xes que a malícia te trans
torne
12Não dei
xes que o mínimo te con
forme
10Enquanto o tempo se con
some
21Porque o homem besta não dorme
semeando miséria e
fome
1532 Primaveras nas ruas
amizades sinceraa
10Meu puto, é
um mundo de
feras
16E
da realidade não dá pa
ra tirar férias
15Faço sérias abordagens em prol
do bem comum
11Putos querem saber quem
é o maior?
8Que se foda
o número 1
21A vida não é um concurso
ou uma corrida em pis
ta coberta
23Valorizo mais a
procura que o número astronómico
da oferta
12A mi
nha histori
a é bem concreta
16De
baixo de chuva à procu
ra de uma aberta
20Vi uma porta entreaberta que me levou à di
recção certa
17Incer
ta a vida que levo, não desminto
nem o nego
21Como poderi
a ser assim tão cego,
impávido ou incré
dulo?
19Estas ferramen
tas que envergo cabe a mim dar lhes um
bom fim
13E
então que seja
assim, que seja assim
15Nesta bata
lha da vida perdi algumas
rondas
15Passei algumas lom
bas, dias curtos, noites
longas
16Vi corações par
tidos, amigos mal agrade
cidos
16Comentários fingidos, judas em varias
tribos
19Julgas que não
tenho ouvidos por
que adormeço os sen
tidos
10Por
que adormeço os sen
tidos?
11Pela
dor dos que já não estão
vivos
21É raro sair do estúdio,
poucos são os que me vêem na
rua
20Porque a má vi
da acima de tudo, não avança, só re
cua
19Atenua um futu
ro risonho,
assassinato
do sonho
9Do que sou não me en
vergonho
10Quando escre
vo não pressuponho
16A minha maior vaida
de foram os amigos
que fiz
21O criar
da minha raiz é tudo o
que preciso para ser
feliz
12Diz o que qui
seres, o mal que pu
deres
19Mas lembra-te que vem o dobro de tudo aquilo que tu
deres
16Vive com integridade, com paixão e humil
dade
17Em
pleno, sereno, como um pôr do sol ao fim de
tarde