Mundo-segundo Conto Bafiento

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[Intro: Excerto do poema "Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada", de Alberto Caeiro]

13Isto é talvez ridículo aos ouvidos
16De quem por não saber o que é olhar para as coisas
10Não compreende quem fala delas
18Com o modo de falar que reparar para elas ensina
[Verso 1: Mundo Segundo]

14Que o Sol se levante sem um triste semblante
17O mal corto como um diamante, nunca relutante
15E jamais cintilante de vaidade reluzente
19Sinto a dor de um caminhante sobre cinza incandescente
21(Enquanto) O ódio propaga nas ruas onde o pecado mora
22(No peito) A saudade aperta como a dor de quem partiu para fora
18(E) O sofrimento é similar ao de uma mãe que chora
18(Quando) Ora por um filho que parte fora da sua hora
14Nunca cabisbaixo nestes versos que encaixo
16Jamais me rebaixo, facho leva ordem de despacho
18(Sou) Resiliente como o sol nascente, eu volto sempre
16Mais um dia nesta luta de labuta permanente
18Permaneço num endereço onde o amor não tem preço
19Onde o apreço te acalma se tens a alma do avesso
23Recebo o dobro do que ofereço, o que ofereço é genuíno
20É o destino de um peregrino até o badalar do sino
[Verso 2: Bezegol]

18Tem calma, querem mais um discípulo, não lhes dou capítulo
16Sou mais baixo que um peão neste xadrez político
17Desperto nesta situação, eu ando sempre aflito
18Pois qualquer falta de atenção o resultado é crítico
17Tenho de manter a cabeça fria, lutar mais um dia
17Dar um conforto à Maria, apoio à minha cria
13Levantar, cair, faz parte da minha sina
16Continuar e persistir faz parte da minha rima

[Refrão: Bezegol]

13Eu queria comprar um bocado do tempo
14Só para voltar atrás, desviar o lamento
15Mudar o argumento deste conto Bafiento
13Eu queria comprar um bocado do tempo
[Verso 3: Bezegol]

16Neste jogo sou só mais um player que se fez à vida
15Tentar soldar as contas com rimas numa batida
15Não veio fácil, mas foi uma rota definida
11Não havia GPS, então foi à deriva
17Sempre com fumo no meu peito, humildade e respeito
20Quando o trabalho é ganho, o trabalho é para ser bem feito
13Representando o que ficou atrás de mim
17Levo arrependimentos pois a vida é mesmo assim
15Podia desviar mas não sabia de antemão
16O conforto que seria não resistir à tentação
14Mas não, preferi sentir o sabor da verdade
18E agora vivo entre a loucura e a sanidade
[Verso 4: Mundo Segundo]

13Eu jamais demagogo, sou mais pedagogo
18O meu velho é como novo, tenho estima pelo jogo
15Estamos inconformados e a postos nos postos
19A puxar ferro com o peso dos impostos que nos são impostos
15Estamos a contar trocos e não a contar gostos
14Ricos que roubam pobres, não há Robin dos bosques
16Estamos a gastar cobres, estamos a gastar votos
17Tanta areia para os olhos, o povo é que sofre
15Vistos como piratas, vimos pilhar o tesouro
15Antes que os magnatas venham arrancar o couro
14Eu nasci num berço d'ouro, só colchão de palha
16E não conheço o fio d'ouro, só o da navalha
15Não arquiteto, mas com mais um projeto na calha
16Homem maduro e adulto não se dá com canalha
16Não há Deus que valha quando é o sistema que falha
12Estamos rodeados por escumalha

[Refrão: Bezegol]

13Eu queria comprar um bocado do tempo
14Só para voltar atrás, desviar o lamento
15Mudar o argumento deste conto Bafiento
13Eu queria comprar um bocado do tempo!
13Eu queria comprar um bocado do tempo
14Só para voltar atrás, desviar o lamento
15Mudar o argumento deste conto Bafiento
13Eu queria comprar um bocado do tempo!
[Outro: Bezegol]

19Quebrar este sentimento de ir num barco à vela sem vento
18Dobrar o cabo do tormento, sair deste modo cinzento
17Mudar todo o andamento deste governo nojento
18Não importa quem tá lá dentro todos no conto bafiento
19Eu queria comprar, queria queria só para voltar atrás
14para voltar atrás, mudar o argumento
21(Deste conto Bafiento) Eu queria comprar um bocado do tempo