Miguel-araujo Recantiga

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End rhyme Internal rhyme
[Verso 1]

22E era as folhas espalhadas, muito recalcadas do correr do ano
23A recolherem uma a uma por entre a caruma, de volta ao ramo
26E era à noite a trovoada que encheu na enxurrada aquela poça morta
24De repente, em ricochete, a refazer-se em sete nuvens gota a gota
[Refrão]

22E era de repente o rio, num só rodopio, a subir o monte
23E a correr contra a corrente, assim de trás p'rá frente, a voltar à fonte
[Verso 2]

24E um monte de cartas espalhadas, desdesmoronando-se todo em castelo
23E era a linha duma vida sendo recolhida de volta ao novelo
25E era aquelas coisas tontas, as afrontas que eu digo e que me arrependo
18A voltarem para mim como se assim tivessem remendo
[Refrão]

21E era eu um passarinho, caído no ninho à espera do fim
14E eras tu, até que enfim, a voltar p'ra mim