[Intro]
2Ca
ju
2Ca
ju
[Falado]
8Querida Caju, bom di
a
15Me escrevo
essa carta em primeira pessoa
14Pelo e
xercíci
o de me ver assim,
livre
21Nes
sa estrada longa, o
destino que ainda não sei como se
rá
12Mas que a
credito veemente
mente
19Porque agora
eu aprendi a an
dar depois de ficar de
pé
24Es
crevo isso e me lem
bro daquela cena do meu filme
preferido,
Kill Bill
35Quando Beatrix Kiddo fica horas depois do
coma tentando mexer os dedos deitada na parte de
trás do carro
9Hoje
eu aprendi a correr
28E
é por isso que eu acordei e
quis me colocar num ô
nibus com dire
ção ao futuro
18E eu pretendo passar o
dia me observando
atenta
11E peço, no fundo do pen
samento
29"Tomara que
hoje faça um
dia de sol, e se houver neblina, que eu seja um sol
interno"
19De
olhos abertos, eu observo o movi
mento na estrada
15E
penso na minha trajetória a
té aqui
14Nas inúmeras coi
sas que meus olhos já viram
26E eu me percebo sendo uma grande cole
cionadora de bo
as memórias
21É claro, dentro dessas memórias, também
existem os equívocos
13Os deslizes,
alguns tombos,
precipícios
18Mas
é impressionante que mesmo com
esses declínios
10Eu ainda lembro como voar
16Agora, com os
fones de ouvidos bem ajus
tados
23Eu sei que eu que
ro um dia dançante depois de passar por esse es
tado
41Onde o corpo fica a
moado,
onde natural
mente eu fico de
calundu e me esquivo de qualquer
coisa que me atra
vesse
13Pela escolha de
viver o ranço, che
ga!
13Eu realmente
prometi ser o sol
hoje
15Desde o momento em
que entrei nesse ô
nibus
12Eu vejo o trem passando na jane
la
24E
penso que as vezes
é preciso alguém, um movi
mento espelhado
ao seu
17Que lhe faça encontrar um outro sen
tido pros domin
gos
12Quando o
relógio marca às
treze
19Parece que o di
a será um grande en
guiço, um em
brulho
9Um
negócio efême
ro
17Se eu pudesse, hoje eu fari
a um dia eterno
21Um astro noturno, u
ma fogueira que não se abala
pela água
8Um eclipse
de estrelas
26Se eu pudesse, o dia de ho
je seria disruptivo
a tudo que
é lógico
11Sorrio
ao me imaginar
assim,
9com meu pos
sante na es
trada
13É preciso ser o retrogosto da
boca
13E ser
eterno em al
guma memó
ria
10Seu nome não
é caju a
toa