Lenine Ecos Do Ao

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End rhyme Internal rhyme
[Verso 1]

10Rebenta na Febem rebelião
10Um vem com um refém e um facão
10A mãe aflita grita logo: não!
11E gruda as mãos na grade do portão
13Aqui no caos total do cu do mundo cão
10Tal a pobreza, tal a podridão
12Que assim nosso destino e direção
12São um enigma, uma interrogação
[Refrão]

4Ecos do ão
[Verso 2]

11E, se nos cabe apenas decepção
10Colapso, lapso, rapto, corrupção?
10E mais desgraça, mais degradação?
9Concentração, má distribuição?
9Então a nossa contribuição
10Não é senão canção, consolação?
10Não haverá então mais solução?
5Não, não, não, não, não
[Refrão]

4Ecos do ão
4Ecos do ão

[Verso 3]

10Pra transcender a densa dimensão
14Da mágoa imensa então, somente então
10Passar além da dor da condição
12De inferno e céu nossa contradição
10Nós temos que fazer com precisão
12Entre projeto e sonho a distinção
10Para sonhar enfim sem ilusão
10O sonho luminoso da razão
4Ecos do ão
[Verso 4]

10E se nos cabe só humilhação
11Impossibilidade de ascensão
10Um sentimento de desilusão
10E fantasias de compensação
11E é só ruina, tudo em construção
11E a vasta selva, só devastação
10Não haverá então mais salvação?
5Não, não, não, não, não
[Refrão]

4Ecos do ão
4Ecos do ão

[Verso 5]

9Porque não somos só intuição
10Nem só pé-de-chinelo, pé no chão
12Nós temos violência e perversão
12Mas temos o talento e a invenção
11Desejos de beleza em profusão
10Ideias na cabeça, coração
12A singeleza e a sofisticação
14O choro, a bossa, o samba e o violão
[Refrão]

4Ecos do ão
[Verso 6]

11Mas, se nós temos planos, e eles são
11O fim da fome e da difamação
10Por que não pô-los logo em ação?
12Tal seja agora a inauguração
10Da nova nossa civilização
10Tão singular igual ao nosso ão
11E sejam belos, livres, luminosos
8Os nossos sonhos de nação
[Refrão]

4Ecos do ão
4Ecos do ão