Joana-amendoeira Balada De Neve

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End rhyme Internal rhyme
8Batem leve, levemente
7Como quem chama por mim
8Será chuva? será gente?
8Gente não é, certamente
9E a chuva não bate assim
8É talvez a ventania:
9Mas há pouco, há poucochinho
9Nem uma agulha bulia
9Na quieta melancolia
8Dos pinheiros do caminho...
9Quem bate, assim, levemente
8Com tão estranha leveza
9Que mal se ouve, mal se sente?
8Não é chuva, nem é gente
8Nem é vento com certeza
8Fui ver. a neve caía
8Do azul cinzento do céu
10Branca e leve, branca e fria...
9. há quanto tempo a não via!
7E que saudades, deus meu!
10Olho-a através da vidraça
8Pôs tudo da cor do linho
9Passa gente e, quando passa
9Os passos imprime e traça
8Na brancura do caminho...
9Fico olhando esses sinais
9Da pobre gente que avança
8E noto, por entre os mais
8Os traços miniaturais
8Duns pezitos de criança...
8E descalcinhos, doridos...
9A neve deixa inda vê-los
8Primeiro, bem definidos
8Depois, em sulcos compridos
9Porque não podia erguê-los!...
7Que quem já é pecador
7Sofra tormentos, enfim!
7Mas as crianças, senhor
7Porque lhes dais tanta dor?!...
7Porque padecem assim?!...
10E uma infinita tristeza
7Uma funda turbação
10Entra em mim, fica em mim presa
8Cai neve na natureza
7. e cai no meu coração