Gilberto-gil Sob Pressao

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End rhyme Internal rhyme
[Verso 1: Chico Buarque | ambos]

10Falta de ar nos gemidos dos "ais"
11A febre, seus fantasmas, seus terrores
11Sem pressa, passo a passo, mais e mais
12A besta avança pelos corredores
11O médico caminha com cautela
13Estuda as artimanhas do inimigo
12A enfermeira brava vence o medo
14Pouco lhe importa a extensão do perigo
12O mundo está azarão ao Deus dará
13O povo não se entrega, é cabra cega
11É lá e cá sem lei, sem mais aviso
11Só sei que é preciso acreditar
[Verso 2: Gilberto Gil | ambos]

12Fazemos todos parte dеsta história
11Mesmo que os tontos blefеm com a morte
11Num jogo de verdades e mentiras
11Um jogo duplo de azar e sorte
12A ciência abre as suas asas
13A esperança à frente como um guia
12Com São João na reza, a pajelança
12A intervenção de Xangô na magia
11Neste canto aqui da poesia
11Casa da fantasia e da razão
14Abre-se a porta e entra um novo dia
12Pela janela adentro um coração

[Verso 3: Chico Buarque | Gilberto Gil | ambos]

14A voz de um bardo a bordo da alvorada
12O sol da aurora secando o pulmão
13Ano passado, se eu morri na estrada
11Vai que esse ano não morro mais, não
11É pra montar no lombo da toada
11Desembarcar do trem da pandemia
12É pra fazer da rima arredondada
13O rompante final de uma alegria
13Vamos em frente, amigo, vamo' embora
11Vamo' tomar aquela talagada
13Vamo' cantar que a vida é só agora
14E se eu cantar, amigo, a vida é nada