Gabriel-o-pensador Sobrevivente

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End rhyme Internal rhyme
[Refrão]

7Sangue pra sua sede
8Ódio na sua rede
8Seus ouvidos têm paredes
12E as mentiras travam a suavisão
10Tempossombrios, peitos vazios
22Vocêfoi estrangulado quando o ar ficoupesado dentro do pulmão
11Sopro de vida mal agradecida
22Do parto à partida, nossa presença aqui devia ser uma missão
15Se a vida é um sopro, eu abro a janela
15Se o mar é de lama, eu uso as minhas velas
12E busco a luz no fim da escuridão
[Verso 1]

13Vou me libertar da escravidão da mente
14Exalar o que é impuro do meu coração
15Mas não quero a liberdade isoladamente
12Liberdade vigiada é ilusão
12A calamidade, a banalidade
10A dignidade já ficou no chão
7Chove impunidade
21Quando a lama invade, morre uma cidade, morre uma nação
24Anestesiados pelas novidades vistas pelo Insta ou na televisão
27Nós compartilhamos nossa insensibilidade quando atrocidade vira diversão

12O suicida estava prestes a pular
16As pessoas se apressaram pra pegar o celular
18As memórias estavam cheias e pediram pra esperar
16"Por favor, não pule agora, nós queremos te filmar!"
15Ele ouvindo lá de cima não entendia bem
11E não reconheceu ninguém na rua
14Mas achou que aquela gente lhe queria bem
13E que aquela dor não era mais só sua
13Desistiu de desistir, retomou a calma
14E todos foram embora quando ele desceu
14O silêncio aliviou a sua alma
13E o milagre foi que nada aconteceu
11Deus 'tava vendo um jogo lá no céu
14Um anjo deu caneta e o outro deu chapéu
35Não sei se era um menino do Flamengo ou qualquer outro adolescente da Rocinha, da Mangueira ou do Borel
16Quantas mães em desespero choram nos seus travesseiros
9Toda noite um pesadelo
16Quantas mais farão apelos pela justiça divina
9Já que a justiça não veio
19Pânico, assalto, chacina, estupro, arrastão, tiroteio
[Ponte]

16Pra eles não importa, gente viva ou gente morta
8É tudo a mesma merda
10Os velhos nas portas dos hospitais
10Crianças mendigando nos sinais
10Pra eles, nós somos todos iguais
21Operários, empresários, presidiários e policiais
11Nós somos os otários ideais
15A paz é contra a lei e a lei é contra a paz
11Essa tribo é atrasada demais

[Verso 2]

6A morte é banal
11Nos filmes, nos games, na vida real
5Matar é normal
23Na sala de aula em Suzano e na verba roubada por baixo dos panos
10Preconceito racial, social
14Intolerância religiosa, sexual
36E os poderosos alimentam a ignorância que sustenta a sua ganância e tudo fica sempre igual
[Refrão]

7Sangue pra sua sede
8Ódio na sua rede
8Seus ouvidos têm paredes
12E as mentiras travam a sua visão
10Tempos sombrios, peitos vazios
22Você foi estrangulado quando o ar ficou pesado dentro do pulmão
11Sopro de vida mal agradecida
22Do parto à partida, nossa presença aqui devia ser uma missão
15Se a vida é um sopro, eu abro a janela
15Se o mar é de lama, eu uso as minhas velas
12E busco a luz no fim da escuridão
[Saída]

12Me libertei da escravidão da mente
13Derrubei o muro que separa a gente
13Professores são heróis diariamente
12Obrigado por plantar essa semente
15Na mudança do presente, eu moldo o futuro
13Essa lama não vai ser maior que a gente
13Vou em frente porque o meu amor é puro
16É o abraço do bombeiro com o sobrevivente