[Intro]
19Alguns às vezes me tiram o sono, mas não me tiram o
sonho
20Por isso eu
amo e declamo, por isso eu
canto e com
ponho
16Não sou o do
no do mundo, mas sou um filho do
dono
15Do verda
deiro patrão, do verda
deiro patrono
[Interlúdio]
12- E aí, Gabriel, de
sistiu do cachê?
16- Can
celei um trabalho aí pra não
me aborrecer
14- Explica
isso melhor, o que
foi que você fez?
11- Tá tudo bem, eu ex
plico pra vocês:
[Verso 1]
12Tudo começou na aula
de português
13Eu
tinha uns cinco anos, ou talvez
uns seis
16Come
cei a escre
ver, aprendi a ortogra
fia
15De
pois as redações, para a
nossa ale
gria
15Profes
sora dava
tema-livre, eu demo
rava
15Pra escolher um tema, mas depois eu via
java
14E nes
sas viagens, os personagens sur
giam
12Pensavam, sentiam, choravam, sor
riam
14A
í a minha tia-a
vó, veja só você
18Me
deu de aniversário uma
máquina de escre
ver
12Eu me senti
um baita jor
nalista, tchê
12Que nem a
minha mãe, que trabalhava
na TV
13Depois, já aos quinze, mas
com muita ti
midez
16Fiquei muito sem graça
com o que a professo
ra fez
17Ela pegou meu texto e leu pra turma inteira
ouvir
14Até fiquei
feliz, mas com
vontade de
fugir
16Então eu desco
bri que já nasci
com esse pro
blema
16Eu gosto de escre
ver, eu gosto de escrever,
crer, ver
18Ver,
crer, eu gosto de escrever e escrevo até po
ema
[Refrão]
14Meu Pai, eu confesso, eu faço pro
sa e verso
16Na feira
eu vendo livro, no
show eu vendo ingresso
16Na loja
eu vendo disco, já vendi mais de
um milhão
15Se
isso for um crime, quero ir logo
pra prisão
[Verso 2]
11- Ih, pensador, isso é gra
ve, hein!
14É, vovó dizia que
eu já escre
via bem
15Tentei
me controlar,
me ocupar com um es
porte
13Surfe, futebol, mas
não era o meu
forte
14Um dia
eu fiz uns raps e achei
que tava bom
14Me batizei de
Pensador e quis fazer
um som
15Fi
car famoso e rico nunca foi minha
meta
17Minha mãe já era
isso, eu só
queria ser po
eta
15Meu pai, um homem sé
rio, um gaúcho de
POA
16Formado em me
dicina, não po
dia acredi
tar
10Ao ver o seu garoto Gabri
el
20Com um fone nos
ouvidos viajando com a caneta no
papel
13-
O que cê tá fazen
do? Vai dormir, moleque!
13- Ah,
pai, peraí, eu só tô fazendo
um rap!
21Ninguém sabia
bem o que era, mas eu ta
va viciado
naquilo
9E viciei uma
galera!
[Refrão]
14Meu Pai, eu confesso, eu faço pro
sa e verso
16Na feira
eu vendo livro, no
show eu vendo ingresso
16Na loja
eu vendo disco, já vendi mais de
um milhão
15Se
isso for um crime, quero ir logo
pra prisão
[Verso 3]
12Não
tô vendendo crack, não tô vendendo pó
14Não tô vendendo fu
mo, não tô vendendo co
la
18Mas muitos me
disseram que o que eu
faço é viciante
18E vicia
os estudantes quando eu entro
nas escolas
15Até os profes
sores às vezes se contami
nam
15Copiam minhas
letras e textos e disse
minam
16Sementes do
que eu faço, já não sei se é bom ou mau
16Mas
sei que muito aluno começa a fazer
igual
14Escreven
do poemas, escrevendo re
dações
15Fazendo até uns raps e umas apresen
tações
14Me lembro
dos meus filhos, a saudade
é cruel
14Solidão me acompanha
de hotel em hotel
14Casamento acabou, eu perdi na es
trada
17O amor que ainda te
nho é o amor
da palavra
14É falar e cantar,
despertar consciên
cias
16Dediquei a vi
da a isso e maior recom
pensa
17É servir
de referência pra quem pensa pare
cido
15Pra quem tenta
se expressar e nunca é ou
vido
17É
olhar pra minha frente e
enxergar um mar
de gente
15E mergulhar
no fundo dos seus corações
e mentes
17É
esse o meu mer
gulho, não é o do Tio
Patinhas
16É
esse o meu orgulho, escrever as mi
nhas linhas
16Eu
escrevo em linhas tortas, inspirado por alguém
14Que me deu
uma missão que eu tento
cumprir bem
16Escu
to os corações, como
um cardiologista
17Traduzo o que
eles dizem como faz qualquer
artista
15Que ganha o seu cachê, que é fruto do tra
balho
19De
cigarra e de for
miga, e eu não sei o quanto eu
valho
17Mas eu sei que quando eu ganho, divido e multi
plico
15E quanto mais eu vou dividindo, mais fico
rico
15Rico da riqueza verdadeira que é
de graça
17Como um só sorriso que ilumina toda
a praça
18Sor
riso emocionado de um senhor expe
riente
14Em pé há duas horas de
baixo do sol quente
15Ou
vindo os meus poemas em total sinto
nia
16Eu sou ele
amanhã,
e hoje é só poe
sia
[Refrão]
14Meu Pai, eu confesso, eu faço pro
sa e verso
16Na feira
eu vendo livro, no
show eu vendo ingresso
16Na loja
eu vendo disco, já vendi mais de
um milhão
15Se
isso for um crime, quero ir logo
pra prisão
[Outro]
9- Hei, hei, parado você aí
2- Quem?
Eu?
9- É, você mesmo. Vai pra on
de?
4- Vou traba
lhar
11- O que que é isso aí?
É droga?
9- Não, mas faz
quem usa viajar
5- É o
que? Arma?
10- Não, mas faz
quem usa ser mais forte
9- Que que cê
vai fazer com
isso?
-
21Eu vendo isso pra quem
tem o poder de compra dos que não
podem comprar
20.
E ajudo a a
plicar no povo, explico o mo
do de usar.
7Eu vendo livros, ca
ra
7- É um bom negó
cio?
8- Honesto e bom, pode
crer
85. E a melhor parte é poder entregar sa
bendo que alguém
vai ler. Tem gente que
escreve por ego ou só
pra fazer firula. O
meu texto é simples, sincero, é tinta
que sai da médula. Eu chuto
as palavras pra fo
ra e elas que vem me buscar num jogo de bola
e gândula
-
17Ãh, entendi. Quanto
é? Vê um a
í. Vê um desse
aí
1-
É 35