[Intro]
11"O
lha aí, ó, a bala aí, ó"
9"E a tragé
dia no Rio"
13"Mais um
dia em que ino
centes morreram"
8"Eu tô
destruída, mo
ço"
11"Depois
de oito meses de reuniões"
34"Finalmen
te o Governo do Estado di
vulgou o plano de segurança in
tegrado com as Forças Fede
rais"
15"Torcer
que a gente di
minua esses índices"
14"E
mais uma criança baleada no
Rio"
14"Meu Deus!
Esse é o nosso Rio de Ja
neiro"
[Verso]
6Que
tiro foi esse?
14Não, não vou ca
ir no chão, pelo menos a
gora
15Eu também sou brincalhão, mas brincadeira tem
hora
15Lá fora, no meu Rio, cada vez mais gente
chora
18E cada vez mais gente boa tem vontade de ir em
bora
18O Rio que a
gente adora come
mora o Carna
val
18E a violência a
pavora, ou você acha nor
mal?
15A
boca que explode, o
silêncio do medo
9O
suspiro da
morte banal
12O
lamento de um povo que implo
ra
13Por uma
vitória do bem
sobre o mal
9Aten
ção: confusão,
invasão
15Tiroteio fe
chando a ave
nida outra vez
12Mui
ta bala vo
ando e acertando
13Até mesmo as
crianças; às ve
zes, bebês
16Criança, meu irmão, não
é estatística,
é gente
6Alguém de
verdade
13Como a Emily Neves, menini
nha linda
9De três aninhos de
idade
14Tenta
tiva de assalto, dez tiros
no carro
9Não
é uma fatalida
de
14Uma dú
zia de flores num caixão
pequeno
11E um a
deus no jardim da sauda
de
8João Pedro, qua
tro anos
18Seguia pra i
greja com o pai e os ir
mãos, quarta-feira
11Mas um tiro
acertou suas costas
16E encheu de
tristeza uma família
inteira
9O Luis Miguel, de sete anos
14Em casa, levantou pra
pedir um copo
d'água
10Mas le
vou uma bala
perdida
13E dei
xou sua mãe toda ensanguentada
9Meu surdo, parece ab
surdo
12Mas
muitos se fazem de sur
dos, conseguem
10Confun
dem um fuzil
com foguete
17Escondem os defuntos de
baixo do tape
te e seguem
9Covardes, as au
toridades
7Zombam da
situação
13Político esperto explo
ra o medo
12E qualquer sentimento da
população
17A violência estú
pida afeta todo
mundo
13Menos es
ses vagabundos lá da cú
pula
11Corrupta, hipócrita e no
jenta
9Que alimenta essa
guerra
14E, da guerra, há mui
to tempo se ali
menta
17Se morre mais um
assaltante ou
assalta
do, tanto faz
10Pra eles,
nós somos todos
iguais
22Ope
rários, empre
sários e presidi
ários e policiais:
11Nós somos os otá
rios ideais
8Será que
alguém duvida
14Que a fortu
na da corrupção
bem investida
19Teria
salvo dezenas, centenas,
milhares,
milhões de vidas?
11Desde que eu me co
nheço por gente
16E até muito antes, quantas mortes
de inocente
10Valem cada a
nel de brilhante?
9Governantes
dão mal exemplo
10E os valores são invertidos
10Se o desones
to é malandro
10O menor também
quer ser bandido
8Alguns, né,
a minoria
15Mas não o
bom Jeremias, que cresceu lá na Ma
ré
8Com fé e
sabedoria
11Lendo livros, jogando uma bo
la
12Estu
dando violão e bateria
9A mãe desmaiou no en
terro
8Você não
desmaiaria?
17Que força você teria pra enterrar o seu ga
roto?
8Que forças ainda
temos
8Pra nos amar, uns aos
outros?
18E nos armar de indig
nação por
justiça e edu
cação
10Pra que essas e
outras crianças
8Não tenham morrido
em vão
16Sofia, Maria Edu
arda, Caíque, Fernanda
9Arthur, Paulo
Henrique, Renan
9Edu
ardo, Vanessa, Vitor
9Esses foram ano passado
9Quem será que
vai ser amanhã?