Gabriel-o-pensador Cacimba De Magoa

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End rhyme Internal rhyme
[Ponte: Tato]

15O sertão vai virar mar, é o mar virando lama
20Gosto amargo do Rio Doce, de Regência a Mariana
[Verso 1: Gabriel, O Pensador]

20Mariana, Marina, Maria, Márcia, Mercedes, Marília
17Quantas famílias com sede, quantas panelas vazias?
14Quantos pescadores sem redes e sem canoas?
13Quantas pessoas sofrendo, quantas pessoas?
16Quantas pessoas sem rumo, como canoas sem remos
12Ou pescadores sem linhas e sem anzóis
16Quantas pessoas sem sorte, quantas pessoas com fome
15Quantas pessoas sem nome, quantas pessoas sem voz?
14Adriano, Diego, Pedro, Marcelo, José
15Aquele corpo é de quem? Aquele corpo, quem é?
15É do Tião, é do Léo, é do João, é de quem?
14É mais um João-Ninguém, é mais um morto qualquer
15Morreu debaixo da lama, morreu debaixo do trem?
17Ele era filho de alguém, e tinha filho e mulher?
16Isso ninguém quer saber, com isso ninguém se importa
14Parece que essas pessoas já nascem mortas
16E, pra quem olha de longe, passando sempre por cima
13Parece que essas pessoas não têm valor
17São tão pequenas e fracas, deitando em camas e macas
13Sobrevivendo, sentindo tristeza e dor

[Refrão: Tato]

14Quem nunca viu a sorte pensa que ela não vem
11E enche a cacimba de mágoa
17Hoje, me abraça forte, guarda esse mal pra outro bem
9Transforma lágrima em água
[Ponte x2: Tato]

15O sertão vai virar mar, é o mar virando lama
20Gosto amargo do Rio Doce, de Regência a Mariana
[Verso 2: Gabriel, O Pensador]

15Quem olha acima, do alto, ou na TV, em segundos
15Às vezes vê todo mundo, mas não enxerga ninguém
17E não enxerga a nobreza de quem tem pouco, mas ama
17De quem defende o que ama e valoriza o que tem
20Antônio, Kátia, Rodrigo, Maurício, Flávia e Taís
15Trabalham feito formigas, têm uma vida feliz
15Sabem o valor da amizade e da pureza
14Da natureza e da água, fonte da vida
18Conhecem os bichos e plantas e, como o galo que canta
22Levantam todos os dias com energia e com a cabeça erguida
16Mas vêm a lama e o descaso, sem cerimônia
14Envenenando o futuro e o presente
14Como se faz desde sempre na Amazônia
13Nas nossas praias e rios, impunemente
18Mas o veneno e o atraso, disfarçado de progresso
15Que apodrece a nossa fonte e a nossa foz
13Não nos faz tirar os olhos do horizonte
15Nem polui a esperança que nasce dentro de nós
22É quando a lágrima no rosto a gente enxuga e segue em frente
16Persistente, como as tartarugas e as baleias
15E, nessa lama, nasce a flor que a gente rega
17Com o amor que corre dentro do sangue, nas nossas veias

[Refrão: Tato]

14Quem nunca viu a sorte pensa que ela não vem
11E enche a cacimba de mágoa
17Hoje, me abraça forte, guarda esse mal pra outro bem
9Transforma lágrima em água
[Ponte x3: Tato]

15O sertão vai virar mar, é o mar virando lama
20Gosto amargo do Rio Doce, de Regência a Mariana
[Ponte c/ eco e variações x2: Tato e (Gabriel, O Pensador)]

14O sertão vai virar mar (o sertão virando mar)
15É o mar virando lama (o mar virando lama)
17Gosto amargo do Rio Doce (da lama nasce a flor)
18De Regência a Mariana (muita força, muita sorte)
14O sertão vai virar mar (mais justiça, mais amor)
8É o mar virando lama
20Gosto amargo do Rio Doce, de Regência a Mariana
15O sertão vai virar mar, é o mar virando lama...