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End rhyme Internal rhyme
[Verso 1: Gabriel o Pensador]

17Um poeta já falou, vendo o homem e seu caminho:
15O lar do passarinho é o ar, e não o ninho
4E eu voei
16Eu passei um tempo fora, eu passei um tempo longe
14Não importa quanto tempo, não importa onde
14Num lugar mais frio, ou mais quente de repente
17Onde a gente é esquisita, um lugar diferente
14Outra língua, outra cultura, outra moeda
13É, vida dura mas eu sou duro na queda
10Se me derrubar, eu me levanto
16E fui aos trancos e barrancos, trampo atrás de trampo
27Trabalhando pra pagar a pensão e superar a tensão do pesadelo da imigração
12Clandestino, imigrante, maltrapilho
17Mais um subdesenvolvido que escolheu o exílio
17Procurando a sua chance de fazer algum dinheiro
14No primeiro mundo com saudade do terceiro
13Família, amigos, meus velhos, meu mano
13O meu pequeno mundo em segundo plano
16Eu forcei alguns sorrisos e algumas amizades
13Passei um tempo mal, morrendo de saudade
17Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade
17Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade
17Da beleza poluída, da favela iluminada
15Do tempero da comida, do som da batucada
17Da cultura, da mistura, da estrutura precária
17Da farofa, do pãozinho e da loucura diária
17Do churrasco de domingo, o rateio e o fiado
18A criança ali dormindo, o coroa aposentado
17Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade
16Da mulata oferecida, do pagode malfeito
16De torcer na arquibancada pro meu time do peito
14A pelada sagrada com a rapaziada
16O sorriso desdentado na rodinha de piada
12Da malandragem, da nossa malícia
16Da batida de limão, da gelada, que delícia
17Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade
14Do jornal lá na banca, da notícia pra ler
9Das garotas dos programas da TV
15Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral
12Do calor humano, do fundo de quintal
14Do clima, da rima, da festa feita à toa
14Típica mania de levar tudo na boa
13Do contato, do mato, do cheiro e da cor
11E do nosso jeito de fazer amor

[Verso 2: Gabriel o Pensador]

17Agora eu sou poeta, vendo o homem a caminhar
15O lar do passarinho é o ninho, e não o ar
4E eu voltei
15E eu passei um tempo bem, depois do meu retorno
18Eu e minha gente, coração mais quente, refeição no forno
13Água no feijão, tô na área, bichinho
12Se me derrubar, eu não tô mais sozinho
7Tô de volta, sim senhor
11Sou brasileiro, com muito orgulho
12Com muito amor, mas o amor é cego
11Devo admitir, devo e não nego
11Que aos poucos fui caindo na real
15Vendo como o Brasa tava em brasa, tava mal
16Vendo a minha terra assim em guerra, o meu país...
8Não dá, não dá pra ser feliz
15E bate uma revolta, e bate uma deprê
18E bate a frustração, e bate o coração pra não morrer
8Mas bate assim cabreiro
22Bate no escuro, sem esperança no futuro, bate o desespero
22Bate inseguro, no terceiro mundo, se for, com saudade do primeiro
9Os velhos, os filhos, os manos
16Ninguém aqui em casa tem direito a fazer planos
15Eu forcei alguns sorrisos e lágrimas risonhas
13Passei um tempo mal, morrendo de vergonha
17Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha
17Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha
17Da beleza poluída, da favela iluminada
13Da falta de comida pra quem não tem nada
16Da postura, da usura, da tortura diária
17Da cela especial, da estrutura carcerária
17A chacina de domingo, o rateio e o fiado
18A criança ali pedindo, o coroa acorrentado
17Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha
16Da mulata oferecida, do pagode malfeito
15Morrer na arquibancada pro meu time do peito
15O salário suado que não serve pra nada
16O sorriso desdentado na rodinha de piada
12Da malandragem, da nossa milícia
14Da batida da PM, porrada da polícia
17Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha
14Do jornal lá na banca, da notícia pra ler
13Das garotas de programa dos programas da TV
15Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral
16Do sorriso mentiroso na campanha eleitoral
14Do clima de festa, da festa feita à toa
16A ridícula mania de levar tudo na boa
14Do contato, do mato, do cheiro da carniça
12E do nosso, jeito de fazer justiça
25Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa, casa do meu coração
18Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa
19E a minha casa só precisa de uma boa arrumação

[Outro: Gabriel o Pensador e Lenine]

14Muita água e sabão (Ensaboa, meu irmão)
9Não se suja não (Indignação)
10Manifestação (Mais informação)
11Conscientização (Comunicação)
10Com toda razão (Participação)
12No voto e na pressão (Reivindicação)
10Reformulação, água e sabão
5Na nossa nação
10Água e sabão, tá na nossa mão
14morrendo de paixão, tô morrendo de paixão