Emicida Mandume

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[Refrão: Emicida]

14Eles querem que alguém que vem de onde nós vem
12Seja mais humilde, baixe a cabeça
16Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
8Eu quero é que eles se *****
14Eles querem que alguém que vem de onde nós vem
12Seja mais humilde, baixe a cabeça
16Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
8Eu quero é que eles se *****
[Pós-Refrão]

24(Nun—nun—nun—nun—nun—nun—nun—nun—nunca deu nada pra nós, caralho, caralho, caralho)
15(Nun—nunca lembrou de nós, ca—ca—caralho, caralho)
15(Nun—nun—nunca deu nada pra nós, caralho, caralho)
17(Nun—nun—nun—nunca lembrou de nós, ca—ca—caralho, caralho)
[Verso 1: Drik Barbosa]

16Sou Tempestade, mas entrei na mente, tipo Jean Grey
13Xinguei, quem diz que mina não pode ser sensei?
12Ginguei, sim, sei, desde a Santa Cruz, playboys
13Deixei em choque, tipo Racionais, "Hey Boy!"
18Tanta ofensa, luta intensa nega a minha presença
16Chega, sou voz das nega que integra resistência
16Truta, rima a conduta, surta, escuta, vai vendo
15Tempo das mulher fruta, eu vim menina veneno
18Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia
13Basta de Globeleza, firmeza? Mó faia
16Rima pesada basta, eu falo memo, igual Tim Maia
18Devasta esses otário, tipo calendário Maia
14Feminismo das preta bate forte, mó treta
14Tanto que hoje 'cês vão sair com medo de bu****
9Drik Barbosa, não se esqueça
19Se os outros é de tirar o chapéu, nós é de 'rancar cabeça

[Verso 2: Amiri]

19Mas, mano, sem identidade somos objeto da história
20Que endeusa "herói" e forja, esconde os retos na história
19Apropriação há eras, desses tá repleto na história
16Mas nem por isso que eu defeco na escória, huh
16Pensa que eu num vi? Eu senti a herança de Sundi
19Ata, não morro incomum e, pra variar, herdeiro de Zumbi
15Segura o boom, fi', é um e dois e três e quatro
21Não importa, já que querem eu cego, eu tô pra ver um daqui sucumbir
18Não, pela honra vinha Man Dume, tira a mão da minha mãe
23Farejam medo? Vão ter que ter mais faro, esse é o valor dos reais: caros
16Ao chamado do alimamo: Nkosi Sikelel', mano
8Só sente quem teve banzo
12(Entendeu?) Eu não consigo ser mais claro!
21Olha pra onde os do gueto vão pela dedução de quem quer redução
19Respeito, não vão ter por mim? Protagonista, ele é preto, sim
12Pelo gueto, vim mostrar o que difere
14Não é a genital ou o "macaco" que fere
9É igual me jogar aos lobos
20Eu saio de lá vendendo colar de dente e casaco de pele
[Verso 3: Rico Dalasam]

16Meme de negro é: me inspira a querer ter um rifle
17Meme de branco é: não trarão de volta Yan, Gamba e Rigue
26Arranca meu dente no alicate, mas não vou ser mascote de quem azedar marmita
27Sou fogo no seu chicote, enquanto a pessoa for morte, pra manter a ideia viva
15Domado eu não vivo, eu não quero ser o crivo
9Ver minha mãe jogar rosas, oh
15Sou cravo vivido dentre os espinhos treinados
7Com as pragas da horta
20Pior que eu já morri tantas, antes de você me encher de bala
9Não marca, nossa alma sorri
13Brilhar é resistir nesse campo de fardas
8('Cê é louco, cachoeira!)

[Refrão: Emicida]

14Eles querem que alguém que vem de onde nós vem
12Seja mais humilde, baixe a cabeça
16Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
8Eu quero é que eles se *****
14Eles querem que alguém que vem de onde nós vem
12Seja mais humilde, baixe a cabeça
16Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
8Eu quero é que eles se *****
[Pós-Refrão]

24(Nun—nun—nun—nun—nun—nun—nun—nun—nunca deu nada pra nós, caralho, caralho, caralho)
15(Nun—nunca lembrou de nós, ca—ca—caralho, caralho)
15(Nun—nun—nunca deu nada pra nós, caralho, caralho)
17(Nun—nun—nun—nunca lembrou de nós, ca—ca—caralho, caralho)
[Verso 4: Muzzike]

19Banha meu símbolo, borda meu manto que eu vou subir como rei
20'Cês vive da minha cicatriz, eu tô pra ver sangrar o que eu sangrei
23Com a mente a milhão; livre como Kunta Kinte, eu vou ser o que eu quiser
21Tá pra nascer playboy pra entender o que foi ter as corrente no pé, ul
15Falsos quanto Kleber Aran, os vazio abraça
11La Revolução tucana, hip-hop reaça
20Doce na boca, lança perfume na mão, manda o mundo se foder
20São os noia da Faria Lima, jão, é a Cracolândia bla
17É Jesus de polo listrada, no corre, corte degradê
14Descola o pôster do 2Pac, que 'cês nunca vão ser
15Original favela, Golden Era, rua no mic
17Hoje os boy paga de 'drão, ontem nós tomava seus Nike
15Os vira-lata de vila e os pitbull de portão
20Muzzike, filho de faxineira, eu passo o rodo nesses cuzão
17Ando com a morte no bolso, espinhos no meu coração
20As hiena' 'tão rindo de quê se o rei da savana é o leão?

[Verso 5: Raphão Alaafin]

11Canta p'a saudar, negô, seu rei chegou
11Sim, Alaafin, vim de Oyó, Xangô
14Daqui de Mali p'a Cuando, de Yorùbá ao banto
17Não temos papa, nem na língua ou em escrita sagrada
9Não, não na minha gestão, chapa
16Abaixa sua lança-faca, espingarda faiada
13Meia-volta na barca, Europa se prostra
16Sem ideia torta, no rap, eu vou na frente da tropa
11Sem eucaristia no meu cântico
16Me veem na Bahia em pé, dão ré no Atlântico
10Tentar nos derrubar é secular
18Hoje chegam pelas avenidas, mas já vieram pelo mar
15Oya, todos temos a bússola de um bom lugar
14Uns apontam p'a Lisboa, eu busco Omongwa
14Se a mente daqui p'a frente é inimiga
16O coração diz que não está errado, então siga
[Verso 6: Emicida]

8Dores em Loop-cínio
,
7os cu diz símio, quê?
12Ao ver o Simonal que 'cês não vai foder
17Grande tipo Ron Mueck, morô, moleque? Zé do Caroço
13Quer Photoshop melhor que dinheiro no bolso?
12Vendo os rap vender igual Coca, fato
15Não, não, melhor, entre nós não tem cabeça de rato
14É Brasil, exterior, capital, interior
16Vai ver nós gargalhando com o peito cheio de rancor
14Como prever que freestyles, vários necessários
12Vão me dar a coleção de Miley Cyrus
14Misturei Marley, Cairo, Harlem, Pairo, firmeza?
16Tipo Mario, entrei pelo cano, mas levei as princesa
17rias diss, não sou santo, ímã de inveja é banto
21Fui na Xuxa pra ver o que fazer, se alguém menor te escreve tanto
15Tô pelo adianto e as favela, entendeu?
20Considere, se a miséria é foda, chapa, imagina eu
16Scorsese, minha tese não teme, não deve, tão breve
12Vitórias do gueto, luz pra quem serve
12Na trama, conhece os louro da fama
12Okay, agora olha os preto, chama
[Refrão: Emicida, Drik Barbosa, Rico Dalasam, Muzzike & Raphão Alaafin]

14Eles querem que alguém que vem de onde nós vem
12Seja mais humilde, baixe a cabeça
16Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
8Eu quero é que eles se *****
14Eles querem que alguém que vem de onde nós vem
12Seja mais humilde, baixe a cabeça
16Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
8Eu quero é que eles se *****
[Pós-Refrão]

24(Nun—nun—nun—nun—nun—nun—nun—nun—nunca deu nada pra nós, caralho, caralho, caralho)
15(Nun—nunca lembrou de nós, ca—ca—caralho, caralho)
15(Nun—nun—nunca deu nada pra nós, caralho, caralho)
17(Nun—nun—nun—nunca lembrou de nós, ca—ca—caralho, caralho)
[Saída - Poema: "Mandume" por Mel Duarte]

23É mais do que fazer barulho e ver retomar o que é nosso por direito
25Por eles continuávamos mudos, quem dirá fazer história, ter livro feito
36Entenda que descendemos de África e temos como legado ressaltar a diáspora de um povo oprimido
24Queremos mais do que reparação histórica, ver os nossos em evidência
9E isso não é um pedido
40Chega de tanta didática, a vida é muito vasta pra gastar o nosso tempo ensinando o quedeviam ter aprendido
29Porque mais do que um beat pesado é fazer ecoar na sua mente o legado de Mandume
22E no que depender da minha geração, parça, não mais passarão impunes