Elba-ramalho O Violeiro

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End rhyme Internal rhyme
10Vou cantar num canto de primeiro
11As coisas lá da minha mudernagem
12Que me fizeram errante violeiro
13Eu falo sério e não é vadiagem
14É pra você que agora está me ouvindo
12Eu juro inté pelo santo menino
13Virgem Maria que ouve o que eu digo
13Se for mentira que me mande um castigo
12Ia pois pro cantador e violeiro
10Só há três coisas nesse mundo vão
13Amor, forria, viola, nunca dinheiro
12Viola, forria, amor, dinheiro não
10Cantador de trovas e martelos
11De gabinetes, ligeira e mourão
12Ai cantador corri o mundo inteiro
13inté cantei nas portas de um castelo
11De um rei que se chamava de João
11Pode acreditar meu companheiro
15A dispois de eu ter cantado o dia inteiro
7O rei me disse fica
4Eu disse não
12Se eu tivesse de viver obrigado
13Um dia e antes desse dia eu morro
13Deus fez os homens e os bichos tudo forro
13Já havia escrito no livro sagrado
14Que a vida nessa terra é uma passagem
11Cada um leva um fardo pesado
15É o ensinamento que desde a mudernagem
12Eu trago dentro do coração guardado
10Tive muita dor de não ter nada
12Pensando que nesse mundo é tudo ter
12Mas só depois de penar pelas estradas
11Beleza na pobresa é que fui ver
11Fui ver na procissão louvado seja
12Mal assombro das casas abandonadas
12Coro de cego nas portas das igrejas
12E o ermo da solidão nas estradas
10Pispiando tudo do começo
12Eu vou mostrar como se faz um pachola
12Que enforca o pescoço da viola
13E revira toda moda pelo avesso
13Sem reparar sequer se é noite e dia
12Vai hoje cantando o bem da forria
11Sem um tostão na cuia o cantador
11Canta até morrer o bem do amor