Elba-ramalho A Violeira

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End rhyme Internal rhyme
14Desde menina, caprichosa e nordestina
18Que eu sabia, a minha sina era no Rio ir morar
13Em Araripe topei com um chofer dum jeep
15Que descia pra Sergipe pro serviço militar
13Esse maluco me largou em Pernambuco
16Quando um cara de trabuco me pediu pra namorar
14Mais adiante, num estado interessante
15Um caixeiro viajante me levou pra Maca
14Uma cigana revelou que a minha sorte
19Era ficar naquele Norte e eu não queria acreditar
13Juntei os trapos com um velho marinheiro
16Viajei no seu cargueiro que encalhou no Ceará
13Voltei pro Crato, fui fazer artesanato
16De barro bom e barato pra mode economizar
15Eu era um broto e também fiz muito garoto
16Um mais bem feito que o outro, elesfaltam falar
15Juntei a prole e me atirei no São Francisco
16Enfrentei raio, corisco, correnteza e coisa má
15Inda arrumei com um artista em Pirapora
17Mais um filho e vim-me embora, cá no Rio vim parar
13Ver Ipanema foi que nem beber Jurema
17Que cenário de cinema, que poema à beira mar
13E não tem tira, nem doutor, nem ziquizira
15Quero ver quem é que tira nóis aqui desse lugar
14Será verdade que eu cheguei nessa cidade
17Pra primeira autoridade resolver me escorraçar?
15Com a tralha inteira remontar a Mantiqueira
17Até chegar na corredeira, o São Francisco me levar?
14Me distrair nos braços de um barqueiro sonso
18Despencar na Paulo Afonso, o oceano me afogar
13Perder os filhos em Fernando de Noronha
16E voltar morta de vergonha pro sertão de Quixadá?
13Tem cabimento, depois de tanto tormento
17Me casar com algum sargento e todo sonho desmanchar?
13Não tem carranca, nem trator, nem alavanca
17Eu quero ver quem é que arranca nóis aqui deste lugar!