Dulce-pontes Os Indios Da Meia Praia

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End rhyme Internal rhyme
[Estrofe 1]

17Aldeia da Meia Praia, ali mesmo ao pé de Lagos
17Vou fazer-te uma cantiga da melhor que sei e faço
16De Montegordo vieram alguns por seu próprio pé
16Um chegou de bicicleta, outro foi de marcha à ré
[Estrofe 2]

18Quando os teus olhos tropeçam no voo de uma gaivota
17Em vez de peixe vê peças de oiro caindo na lota
15Quem aqui vier morar não traga mesa nem cama
16Com sete palmos de terra se constrói uma cabana
[Estrofe 3]

17Tu trabalhas todo o ano, na lota deixam-te nudo
19Chupam-te até ao tutano, levam-te o couro cabeludo
19Quem dera que a gente tenha de Agostinho a valentia
18Para alimentar a sanha de esganar a burguesia
19Adeus disse a Montegordo, nada o prende ao mal passado
20Mas nada o prende ao presente se só ele é o enganado
[Estrofe 4]

16Oito mil horas contadas, laboraram a preceito
18Até que veio o primeiro documento autenticado
18Eram mulheres e crianças, cada um com o seu tijolo
21Isto aqui era uma orquestra, quem diz o contrário é tolo

[Estrofe 5]

17E se a má língua não cessa eu daqui vivo não saia
19Pois nada apaga a nobreza dos índios da Meia Praia
17Foi sempre a tua figura, tubarão de mil aparas
17Deixas tudo à dependura quando na presa reparas
[Estrofe 6]

16Das eleições acabadas, do resultado previsto
15Saiu o que tendes visto, muitas obras embargadas
18Mas não por vontade própria porque a luta continua
19Pois é dele a sua história e o povo saiu à rua
18Mandadores de alta finança, fazem tudo andar p'ra trás
18Dizem que o mundoanda tendo à frente um capataz
[Estrofe 7]

18Eram mulheres e crianças, cada um com o seu tijolo
21Isto aqui era uma orquestra, quem diz o contrário é tolo
17E toca de papelada no vaivém dos ministérios
18Mas hão de fugir aos berros, 'inda a banda vai na estrada