Dulce-pontes Fado Mal Falado

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End rhyme Internal rhyme
12Fado triste, fado negro das vielas
9Estás farto de ser cantado
8Gemidinho e chorado
13Aqui há tempos deram-te mais uma volta
12Ouviu-se a voz do artista Villaret
13Falar-te em tom lencastrice silabado
5Pois vou provar-te
11Que inté és bonito mal falado
9Mão de guitarra, calicidas
8Retorcidas, contorcidas
9Ai, mãos bizarras, mãos chaladas
9Bem caçadas, lacrimejadas
9Mãos furibundas, mãos devassas
8Muito fundas, muito lassas
11Aonde enfim, o fado entoa
11Ó pistarim dá cá uma coroa
10Eu vou contar uma história
10A do Chico e a da Glória
8Viviam numa trapeira
8Ele tocava guitarra
9E ela era cantadeira
8Das que não tinham virtude
9Porque nem cantava o fado
8Da Senhora da Saúde
8Com a massa que ganhavam
8Eram felizes, sem brigas
10Porquе a casa que habitavam
8Era de renas intrigas
8Como tinham poucos móvеis
8Era muito arrumados
9Cochichava em segredinhos
10O mulherio lá de Alfama
9Que este par de namorados
9Até juntava os trapinhos
8Debaixo da mesma cama
14P’la janela da Glória intrava a lua
6E o fado, esse
11Saía a dar voltas pela rua
9Mão de guitarra, calicidas
8Retorcidas, contorcidas
10Ai, mãos abelhudas, cabeludas
8Façanhudas e tronchudas
8Ai mãos de fado, mãos disto
10E mãos daquilo e daqueloutro
8Ai meus irmãos, que confusão
9Eu já meto os pés pelas mãos
12Um dia o Chico não veio, Santo Deus
12Aquilo fez um transtorno à Glória
4Por não vê-lo
8Coitadinha, teve a dor
9Mesmo aqui no cotovelo
8Procurei-a como doido
7E quando lhe perguntei
8Que tinha aoda tasca
10Cheiinha de asca só respondeu
8É pá eu cá 'tou à rasca
9Mas nisto, ao fundo da rua
8Dá de ventas com o Chico
8Todo feito pau dum rico
11Dando o braço a uma pirua
8Mas que ciúme, que drama
10O resto já não tem história
10A Glória foi-se à madama
10E o Chico foi-se à Glória
11E o ciúme chegou como lume
9Queimou o seu peito a sangrar
8Foi um valente sarilho
7Com o Chico a malhar
9Que era um nunca acabar
10Foi a madama a ir de vaca
15E a Glória a puxar pelos cabelos sem dó
13Foi um sarilho de truz, uma coisa liró
10Mas nisto, a Glória num grito
13Teve um faniquito que a pode perder
9Puxa a navalha canalha
6Não há quem te valha
5Tu tens de morrer
9Caramba, que cheiro a mortos
13Os policias tortos vêm abusos e chão
8Desarmam a chaladona
6E deitam-lhe a mão
9Mãos carinhosas, generosas
8Que não conhecem o rancor
6São mãos que agarram
4Mãos que multam
7Mas que procedem sem dor
5Mãos que não sentem
5Quando apertam
9Que estão mesmo a aleijar
9Mãos que deixam nódoas negras
8Mãos mimosas p'ra afagar
12O que salvou este amor foi a naifa
11Que emperrou na figa da corrente
13Amor que já deu, levou, espetou, não matou
7Tem futuro na frente
14Foi lá para as duas e pico na esquadra
10Ela fez as pazes com o Chico
8Foi isto, vai para um mês
6E no lar já há três
8Porque nasceu um pimpolho
13Um lindo zarolho, mais lindo que o trigo
10Basta o Chico olhar p'ra ele
15P'ra ver que ele é muito parecido consigo
7E com o perdão depois
12Felizes os dois, lá vão lado a lado
16Ora aqui está o fado chunga e mal falado