Deolinda Fiscal Do Fado

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End rhyme Internal rhyme
8Entrou um fiscal do fado
9Pela minha alma adentro
8Quis passar um atestado
9A validar o meu talento
9Analisou cada trinado
9Com alguma autoridade
9Qu'isto de cantar o fado
8Tem selo de qualidade
9Existe uma nova norma
8Norma de cantar o fado
10De modo a que ouçam lá fora
8Um bom fado demarcado
9O fado impõe esta norma
10E esta norma impõe-se a mim
8Quem quiser cantar agora
7Vai ter que cantar assim:
1Aiiii
8A casa da mariquinhas
8Tem um lagarto pintado
4Ó-i-ó-ai
10Foi lá que a severa se finou
8Foi um toiro que a matou
8Deu um coice no telhado
3Lai lai lai
5E assim nasce
8A moda das tranças pretas
9Eu achei aquilo errado
7Fiz uma reclamação
10Levei comigo o atestado
8Um arquinho e um balão
8Disse que não é o fado
9Maior do que a liberdade
9Tudo é livre de ser fado
8É de todos a saudade
10Mas existe uma nova norma
8Norma de cantar o fado
10De modo a que ouçam lá fora
8Um bom fado demarcado
9O fado impõe esta norma
10E esta norma impõe-se a mim
8Quem quiser cantar agora
7Vai ter que cantar assim:
1Ai
8A casa da mariquinhas
8Tem um lagarto pintado
4Ó-I-ó-ai
10Foi lá que a severa se finou
8Foi um toiro que a matou
8Deu um coice no telhado
3Lai lai lai
9Eis a razão de eu ser doutor
5E ser fadista
7A senhora do guiché
9Suspirou num certo enfado:
7Cante e logo se vê
7Tudo isto existe
7Tudo isto é triste
7Tudo isto é fado
10Mas existe uma nova norma
8Norma de cantar o fado
10De modo a que ouçam lá fora
8Um bom fado demarcado
9O fado impõe esta norma
10E esta norma impõe-se a mim
8Quem quiser cantar agora
9Cante, que eu não canto assim:
1Ai
8A casa da mariquinhas
8Tem um lagarto pintado
4Ó-I-ó-ai
10Foi lá que a severa se finou
8Foi um toiro que a matou
8Deu um coice no telhado
3Lai lai lai
8E deu-me esta voz a mim
8A casa da mariquinhas
8Tem um lagarto pintado
4Ó-I-ó-ai
10Foi lá que a severa se finou
8Foi um toiro que a matou
8Deu um coice no telhado
3Lai lai lai
7Nunca, nunca, nunca mais!