Deolinda Cancao Ao Lado

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10Desculpem, doutos homens, estetas
13Espíritos poetas, almas delicadas
17A falsidade do meu génio e das minhas palavras
11E é a erudição que eu canto
17Que é da vida, o espanto, que é do belo, a graça
17Mas eu só ambiciono a arte de plantar batatas
9Desculpem lá qualquer coisinha
11Mas não está cá quem canta o fado
11Se era p'ra ouvir a Deolinda
10Entraram no sítio errado
13Nós estamos numa casa ali ao lado
14Andamos todos uma casa ao nosso lado
10Bem sei que há trolhas escritores
15Letrados estucadores e serventes poetas
16E poetas que são verdadeiros pedreiros das letras
10E canta em arte genuína
14O pescador humilde, a varina modesta
16E tanta vedeta devia dedicar-se à pesca
9Desculpem lá qualquer coisinha
11Mas não está cá quem canta o fado
11Se era p'ra ouvir a Deolinda
10Entraram no sítio errado
15É que nós estamos numa casa ali ao lado
14Andamos todos uma casa ao nosso lado
9Por não fazer o que mais gosto
14Canto com desgosto, o facto de aqui estar
19E algures sei que alguém mal disposto ocupa o meu lugar
9Ninguém está bem com o que tem
13E há sempre um que vem e que nos vai valer
16Porém quase sempre esse alguém não é quem deve ser
9Desculpem lá qualquer coisinha
11Mas não está cá quem canta o fado
11Se era p'ra ouvir a Deolinda
10Entraram no sítio errado
15É que nós estamos numa casa ali ao lado
14Andamos todos uma casa ao nosso lado
10E é a mudar que vos proponho
15Não é um passo medonho em negras utopias
17É tão simples como mudar de posto na telefonia
17Proponho que troquem convosco e acertem com a vida