Chico-buarque Construcao

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End rhyme Internal rhyme
[Verso 1]

15Amou daquela vez como se fosse a última
15Beijou sua mulher como se fosse a última
15E cada filho seu como se fosse o único
15E atravessou a rua com seu passo tímido
14Subiu a construção como se fosse máquina
14Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
14Tijolo com tijolo num desenho mágico
15Seus olhos embotados de cimento e lágrima
[Verso 2]

14Sentou pra descansar como se fosse sábado
16Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
15Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
15Dançou e gargalhou como se ouvisse música
15E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
15E flutuou no ar como se fosse um pássaro
16E se acabou no chão feito um pacote flácido
14Agonizou no meio do passeio público
15Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
[Verso 3]

6Amou daquela vez
9como se fosse o último
6Beijou sua mulher
9como se fosse a única
6E cada filho seu
9como se fosse o pródigo
15E atravessou a rua com seu passo bêbado
14Subiu na construção como se fosse sólido
14Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
14Tijolo com tijolo num desenho lógico
15Seus olhos embotados de cimento e tráfego

[Verso 4]

15Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
16Comeu feijão com arroz como se fosse oximo
14Bebeu e soluçou como se fosse máquina
15Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
15E tropeçou no céu como se ouvisse música
14E flutuou no ar como se fosse sábado
16E se acabou no chão feito um pacote tímido
14Agonizou no meio do passeio náufrago
15Morreu na contramão atrapalhando oblico
[Verso 5]

14Amou daquela vez como se fosse máquina
14Beijou sua mulher como se fosse lógico
14Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
15Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
15E flutuou no ar como se fosse um príncipe
16E se acabou no chão feito um pacote bêbado
15Morreu na contramão atrapalhando o sábado
[Saída]

14Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
14A certidão pra nascer, a concessão pra sorrir
14Por me deixar respirar, por me deixar existir
4Deus lhe pague
17Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
16Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
16Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
4Deus lhe pague
15Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
15E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
16E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
4Deus lhe pague