[Verso]
14Trinta e
três a fazer isto desde
os quinze
14O que eu não disse ao padre, disse
aos versos
11E a
primeira vez que eu
recebi
16Deu p'a pagar a banda e a con
ta ficar a zeros
24Ainda era
novidade, e
ra o que eles diziam p'ra me pa
gar menos
18E os homens da minha idade cantavam há me
nos tempo
16Nas
ci numa cidade on
de não basta ter
talento
17É pre
ciso fazer char
me, focar e ajustar
a lente
18A
minha agên
cia diz quе
não sou o sabor do
momento
11Eu ri por ironia, não
por graça
10É que eu
'tou aqui há tan
to tеmpo
15Não sou medalha
de ouro,
eu sou prata da casa
17A
bri cami
nho com as mãos, levei
tijolos na mo
chila
18Não me assusta a
sensação,
elas são todas minhas
filhas
16Tiveste um bom
verão, prepara bem as noites
frias
17P'ra não virares um
refrão que alguém decorou um
dia
12Não é arrogân
cia,
é constatação
13Mas eu 'tou bem se me achares
arrogante
11Andei a fazer das tri
pas coração
15Tu fizes
te uma canção igual às
da Deslandes
18A
influência é notória, nem me dão
os parabéns
18Não dás a mão à palmató
ria, então eu vou
explicar bem
18Influência não é có
pia e eu não co
piei ninguém
18Mas o que
é a vossa forma é a
forma que eu inventei
14Eu já tinha as costas largas an
tes de ser mãe
18É
que eu era miúda e já vestia a
camisola
15Por
isso endireita as costas e senta-te bem
15Não vieste ao meu show, tu vieste
à escola
13Franze o sobrolho mas ajei
ta a gola
12E tem maneiras com a tu
a madrinha
15A cantiga é uma arma, pega
na pistola
18Por isso é que a Florbela Espanca e não
acarinha
11Eu tinha tanta coisa
p'ra escrever
16Porque a palavra dita um dia le
va o vento
12Agora tenho menos me
do de morrer
13Não sou imortal mas deixo um
testamento
[Outro]
9O meu nome
é Carolina
9O meu nome é Carolina
9O meu nome é Carolina
11E é
sempre, sempre,
sempre um prazer
9Sempre, sempre, sempre um prazer
6Muito obrigada