Carolina-deslandes Testamento

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End rhyme Internal rhyme
[Verso]

14Trinta e três a fazer isto desde os quinze
14O que eu não disse ao padre, disse aos versos
11E a primeira vez que eu recebi
16Deu p'a pagar a banda e a conta ficar a zeros
24Ainda era novidade, era o que eles diziam p'ra me pagar menos
18E os homens da minha idade cantavam há menos tempo
16Nasci numa cidade onde não basta ter talento
17É preciso fazer charme, focar e ajustar a lente
18A minha agência diz quе não sou o sabor do momento
11Eu ri por ironia, não por graça
10É que eu 'tou aqui há tanto tеmpo
15Não sou medalha de ouro, eu sou prata da casa
17Abri caminho com as mãos, levei tijolos na mochila
18Não me assusta a sensação, elas são todas minhas filhas
16Tiveste um bom verão, prepara bem as noites frias
17P'ra não virares um refrão que alguém decorou um dia
12Não é arrogância, é constatação
13Mas eu 'tou bem se me achares arrogante
11Andei a fazer das tripas coração
15Tu fizeste uma canção igual às da Deslandes
18A influência é notória, nem me dão os parabéns
18Não dás a mão à palmatória, então eu vou explicar bem
18Influência não é cópia e eu não copiei ninguém
18Mas o que é a vossa forma é a forma que eu inventei
14Eu já tinha as costas largas antes de ser mãe
18É que eu era miúda e já vestia a camisola
15Por isso endireita as costas e senta-te bem
15Não vieste ao meu show, tu vieste à escola
13Franze o sobrolho mas ajeita a gola
12E tem maneiras com a tua madrinha
15A cantiga é uma arma, pega na pistola
18Por isso é que a Florbela Espanca e não acarinha
11Eu tinha tanta coisa p'ra escrever
16Porque a palavra dita um dia leva o vento
12Agora tenho menos medo de morrer
13Não sou imortal mas deixo um testamento

[Outro]

9O meu nome é Carolina
9O meu nome é Carolina
9O meu nome é Carolina
11E é sempre, sempre, sempre um prazer
9Sempre, sempre, sempre um prazer
6Muito obrigada