Carlos-do-carmo Balada Para Uma Velhinha

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End rhyme Internal rhyme
11Num banco de jardim uma velhinha
9Está tão só com a sombrinha
9Que é o seu pano de fundo
11Num banco de jardim uma velhinha
5Está sozinha
11Não há coisa mais triste neste mundo!
8E apenas faz ternura
4Não faz pena
3Não faz dó
12Pois tem no rosto um resto de frescura
11Já coseu alpergatas e bandeiras
4Verdadeiras
12Amargou a pobreza até ao fundo
12Dos ossos fez as mesas e as cadeiras
4As maneiras
14Que a fazem estar sentada sobre o mundo
12Neste jardim é ela a trepadeira
4Das canseiras
13Das rugas onde o tempo é mais profundo
11Num banco de jardim uma velhinha
9Nunca mais estará sozinha
9O futuro está com ela
13E abrindo ao sol o negro da sombrinha
4Puídinha
11O sol vem namorá-la da janela
14Se essa velhinha fosse a mãe que eu quero
6A mãe que eu tinha
12Não havia no mundo outra mais bela
11Num banco de jardim uma velhinha
8Faz desenhos nas pedrinhas
8Que afinal são como eu!
13Sabe que as dores que tem também são minhas
4São moinhas
11Do filho a desbravar que Deus lhe deu
13E em volta do seu banco os Malmequeres
6E as andorinhas
11Provam que a minha mãe nunca morreu