Carlos-do-carmo Aurora Boreal

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End rhyme Internal rhyme
8Tenho quarenta janelas
8Nas paredes do meu quarto
8Sem vidros nem bambinelas
8Posso ver através delas
9O mundo em que me reparto
9Por uma entra a luz do sol
8Por outra a luz do luar
9Por outra a luz das estrelas
8Que andam no céu a rolar
11Por esta entra a Via Láctea
9Como um vapor de algodão
9Por aquela a luz dos homens
9Pela outra a escuridão
10Pela maior entra o espanto
8Pela menor a certeza
9Pela da frente a beleza
10Que inunda de canto a canto
12Pela quadrada entra a esperança
7De quatro lados iguais
10Quatro arestas, quatro vértices
7Quatro pontos cardeais
10Pela redonda entra o sonho
9Que as vigias são redondas
11E o sonho afaga e embala
8À semelhança das ondas
9Por além entra a tristeza
10Por aquela entra a saudade
11E o desejo, e a humildade
11E o silêncio, e a surpresa
12E o amor dos homens, e o tédio
11E o medo, e a melancolia
10E essa fome sem remédio
9A que se chama poesia
12E a inocência, e a bondade
12E a dor própria, e a dor alheia
10E a paixão que se incendeia
10E a viuvez, e a piedade
9E o grande pássaro branco
9E o grande pássaro negro
9Que se olha obliquamente
8Arrepiados de medo
8Todos os risos e choros
8Todas as fomes e sedes
10Tudo alonga a sua sombra
8Nas minhas quatro paredes
8Oh janelas do meu quarto
7Quem vos pudesse rasgar!
9Com tanta janela aberta
8Falta-me a luz e o ar
9Com tanta janela aberta
8Falta-me a luz e o ar
9Com tanta janela aberta
8Falta-me a luz e o ar
9Com tanta janela aberta
8Falta-me a luz e o ar