Capicua Liquida

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[Verso 1]

15Eu uno e separo todas as margens do mundo
10Inundo tudo, mergulho fundo
15E quando me encolho junto mundos afastados
16Empurro cascos de paquetes e barcos de escravos
10Eu finto as redes do arrasto
17Porque passo nos buracos e evaporo no espaço
12Eu é que te lavo enquanto me sujas
9Até me fazerem espuma
10E desabar de nuvem em chuva
13Baptizo cristãos, engulo corpos na morte
15Lavo a sua carne e dou as cinzas à sorte
11Sou forte, faço mover os moinhos
13E no meu umbigo moram monstros marinhos
12Sou de todos e assumo qualquer forma
9Sem cor, sem sabor, inodora
[Refrão]

12Sou líquida, e nasci para ser livre
16Não há vidro que me prive, nem o céu é o limite
12Sou líquida, sou a seiva do teu corpo
15Severa em maremoto, serena numa gota
12Sou líquida, e nasci para ser livre
16Não há vidro que me prive, nem o céu é o limite
12Sou líquida, sou a seiva do teu corpo
15Severa em maremoto, serena numa gota
3Líquida...

[Verso 2]

16Dou de beber à Terra, dou vida, dou pesca, dou rega
8E por mim haveguerra
15Se me quiserem presa, se me fizerem escassa
16Se o meu corpo não chega para a vossa festança
12Serei uma ameaça, darei luta
15Enquanto for engarrafada, vendida, poluta
13Pela puta da indústria que me suja
14E o deserto, tão perto, tão certo, tão vasto
13A obra-prima do homem civilizado
13Ao pirata, à criada, ao diplomata
12Com a mesma força, e a mesma faca
[Refrão]

12Sou líquida, e nasci para ser livre
16Não há vidro que me prive, nem o céu é o limite
12Sou líquida, sou a seiva do teu corpo
15Severa em maremoto, serena numa gota
12Sou líquida, e nasci para ser livre
16Não há vidro que me prive, nem o céu é o limite
12Sou líquida, sou a seiva do teu corpo
15Severa em maremoto, serena numa gota
3Líquida...
[Verso 3]

16Azul do planeta azul, dá o sal e a pimenta
10O Sul é o Cabo da Tormenta
17E na Barca do Inferno bebo um shot de água benta
10Só porque a sede é ciumenta
16E quero matar mais do que a fome e a doença

16Azul do planeta azul, dá açúcar e canela
10O Sul é o fundo da panela
16E na caravela bebo um gole de aguardente
10pra que a gente não se lembre
15Que o império já matou mais do que a sede
[Refrão]

12Sou líquida, e nasci para ser livre
16Não há vidro que me prive, nem o céu é o limite
12Sou líquida, sou a seiva do teu corpo
15Severa em maremoto, serena numa gota
12Sou líquida, e nasci para ser livre
16Não há vidro que me prive, nem o céu é o limite
12Sou líquida, sou a seiva do teu corpo
15Severa em maremoto, serena numa gota
11Líquida... e nasci para ser livre
16Não há vidro que me prive, nem o céu é o limite
12Sou líquida, sou a seiva do teu corpo
15Severa em maremoto, serena numa gota
12Sou líquida, e nasci para ser livre
16Não há vidro que me prive, nem o céu é o limite
12Sou líquida, sou a seiva do teu corpo
15Severa em maremoto, serena numa gota
3Líquida...