[Refrão]
10Quase cinza, promes
sa de cisne
10Pato feio que não
se transformou
12Apenas cisma, flamingo
que desbotou
8Ausência
de cor e som
[Verso 1]
6Eu estou minguante
9Olho os livros da es
tante
8Tão
pouco tempo p'ra
tanto
9Queri
a ser mais do que
só mãe
6Lente de au
mento
11Es
tá sensível
ao momento,
e bem
14Mas é tormento se nem musa, nem tusa
se tem
14O cansaço é inimigo
da poesia
15O prazo
respeito e no peito
fico vazia
15A
rotina é
veneno que nos
mata devagar
13Doses de tédi
o de manhã e ao deitar
10Ca
samento desgastado
nosso
17Criou-se um fosso co
mo se fosse o fundo do
poço
19E nós
ponderamos o nosso
divórcio, mas não era
tempo
15Que ambas tivemos amantes nesse contra
tempo
17Eu disse sempre
que não é sensato seres meu sus
tento
10Simplesmen
te não é avi
sado
14Não é pru
dente ser totalmente sustentada
14Ser depen
dente da música ou
de um homem
6Nah, é mau e
xemplo
9No teto do Te
atro S. João
19De um la
do está a música e do outro a poe
sia
17Ao palco co
mo altar em oração
eu tento sú
plica
10Eu quero a
escrita em
dia
27Há
um tipo de tristeza que
é carne viva para o cora
ção e suas pisa
duras
15Para as quais qual
quer afago é uma provação
17Todo
o toque é tortura
e eu perdi a can
dura
[Bridge: Pepê Rapazote]
53Os flamingos são conhecidos pela sua coloração habitualmente rosada que resulta de uma a
limentação à base de crustáceos ri
cos em carote
no
32Quando se re
produzem, alimentam as
suas crias com
uma espécie de leite que geram
no parto
41Du
rante esse árduo
processo, vão perdendo o seu tom ca
racterístico até ficarem com a cor to
talmente esbranquiça
da
31E só quando fi
nalmente os filho
tes começam a comer sozinhos, os flamingos
recuperam a cor
[Refrão]
10Qua
se cinza, promessa de cis
ne
10Pato feio que
não se transformou
12Ape
nas cisma, flamin
go que desbotou
8Ausênci
a de cor e som
10Quase cinza,
promessa de cisne
10Pato feio que não se transformou
12Apenas cisma, flamingo que desbotou
8Ausênci
a de cor e som
[Verso 2]
20É que eu paro do verbo parir mas nun
ca paro do verbo parar
16Não paro
o verbo e sem o verbo
eu fico sem ar
15Sou presa ao pen
samento e é
o que tem de ser
23E não há um corpo e quando há o corpo só há dor e não
há o meu prazer
19Eu li o Livro do Desassossego como quem
já o percebe
14E despi o
otimismo que
já não me serve
17De manhã é sempre noite
escura na minha cabeça
17Em que
a lua é uma
unha e o tempo
tem pressa
19Eu que
ro música que inspire, eu deixo a porta
aberta
20E eles expõe mil pa
lavras numa frase e nenhuma
é certa
13Nunca acertam, tanta letra, tanta treta
16Só pro
fetas sem ca
neta, sem ter
pena de poetas
[Refrão]
10Qua
se cinza, promessa de cis
ne
10Pato feio que
não se transformou
12Ape
nas cisma, flamin
go que desbotou
8Ausênci
a de cor e som
10Quase cinza,
promessa de cisne
10Pato feio que não se transformou
12Apenas cisma, flamingo que desbotou
8Ausênci
a de cor e som
[Outro]
13O flamingo não é cor de rosa,
torna-se
13O poema não nasce da prosa,
forma-se
15E o cisne não nas
ce elegante, a
dorna-se
12A lua não é
minguante, transforma-se