Capicua A Mulher Do Cacilheiro

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End rhyme Internal rhyme
11Passa o passe pelo torniquete
17Espera que o portão abra assim que a hora chegue
8Para que o barco saia
9Ainda é de madrugada
10O ar frio corta-lhe a cara
16E no cais os sons metálicos são a banda sonora
7Um grito de gaivota
9Um puto chora de com sono
10Enquanto a mãe tenta calá-lo
10Com um biberão de leite morno
9E ela lembra-se dos filhos
8Que ficaram sós em casa
8E dos filhos da patroa
8Pra cuidar na outra margem
9Já se vê lisboa ao fundo
9Que amanhece sonolenta
17E o motor do barco reza numa lenga lenga lenta
8Come bolacha maria
11Ali sentada entre as mulheres
16E na revista maria fica a par dos fadi vers
9Mão gretada da lixivia
9Pele negra cabelo curto
8Saudade de cabo verde
9Vontade de um mundo justo
9Porque é sempre mais difícil
12Pra ela que tem... Escolher a solidão
11Entre um bebado e um adulto
9Entre o pó e a sanita
9Vai limpar também as lágrimas
10E vai rezar também a fátima
9Prá filha não estar grávida
10Avé maria cheia de graça
7O senhor é convosco
11Bendita sois vós entre as mulheres
8Este balanço do barco
9Lembra o mar de santiago
8E ao largo do barreiro
9Quase vê a ilha de maio
9Quase sente o mesmo cheiro
10E vai crescendo o seu desejo
8De seguir no cacilheiro
9É ir até pedra badejo
18Até que vê a ponte salazar ali ao lado esquerdo
13Ou 25 de abril como agora é bom dizer
17E percebe que mesmo que façam pontes sobre o rio
18Ele é demasiado grande para que possam unir-nos
9E ali no meio do tejo
7Debaixo do céu azul
8Deu conta que até cristo
7Virou as costas ao sul
9Ali no meio das mulheres
8Do barco da madrugada
9Sente a fadiga da lida
11Da faxina e da faina pesada
8Sofre da dupla jornada
8Pra por comida na mesa
9Com a força de matriarca
8Que arca com a despesa
10E entre toda aquela gente
9Ela é só mais uma preta
8Só mais uma emigrante
8Empregada da limpeza
19Só mais uma que de longe vê a imponência imperial
15Do tal terreiro do paço da lisboa capital
16Mais uma que à chegada vai dispersar da manada
10Enquanto a cidade acorda
14Já elas estão na batalha à muito tempo
13Por que o metro, comboio, o autocarro
8Podem-nos faltar à gente
9Mas não a gente ao trabalho
8São os outros cacilheiros
7Outras pontes do povo
10Porque a grande sobre o rio
10Mesmo se o estado é novo
18Tem nome de um grande herói da história colonial
20E ela mais uma heroína que não interessa a portugal
17Em comum só este barco o mesmo rio o mesmo mar
17E a mesma fé que esta vida foi feita pra navegar
17Em comum só este barco o mesmo rio o mesmo mar
17E a mesma fé que esta vida foi feita pra navegar
14Navegar é preciso viver não é preciso
14Navegar é preciso viver não é preciso
14Navegar é preciso viver não é preciso
3O barco
8Meu coração não aguenta
5Tanta tormenta