[Verso 1: Speedfreaks]
12Mortos de vossos próprios delí
rios
9Olhai os lírios do
campo
15Correndo pela prai
a do Costão até o Pampo
19Moto
obsoleta, motor a vapor, movido a sola
vanco
14A
taque pressionando sempre pela
frente
11Dando cobertura
na retaguarda
9E protegendo pe
los flancos
9Acelerando até
o fim
14Como o rei Roberto
na estrada
de Santos
12A
racy de Almeida, quanto vale o show?
5Cinquen
ta mangos
19Olho pros lados e só vejo ratazanas por todos
os cantos
13A cidade
está cheia
de camundongos
15Cabe
los longos, bongos, ruas chei
as de calombos
13Gosto
sas com biquínis cravados nos
lombos
6Ru
ínas, calangos
15Cai o mundo em cima de mim, ou
ço um estrondo
16No último mi
nuto sempre sou salvo pelo
gongo
19Pode jo
gar o peso em cima dos meus ombros que eu a
guento
5Não me assombro
18Me levanto dos es
combros como cubanos dançando
mambo
18Alcanço profundidades, limites, como num esca
fandro
9Anismo em apneia,
mando
11Não como mais mulhe
res que o
Wando
12Mas con
tinuo cagando e an
dando
15Homem
que não come feijão vai durar até quando?
11Usando, varando a
madrugada
10Como quem não tem na
da pra fazer
12Sendo que não
tem mesmo nada em mente
4Comovido
16Com trinta anos de trabalho como sub
serviente
11Se deu bem: virou geren
te de banco
18Já descarreguei a me
tranca, acabou o pen
te — deu branco
6Vai lá, Gustavo Black
17Manda logo seu discurso que
brante pra ver
se eu panco
[Verso 2: Black Alien]
1B-b-b-b-b-b-b-b-b-b-b-b-b-b-b-
black!
11Che Guevara da guerrilha verbal,
check
14Sempre presente, quase todo
sempre brilhante
18Interpreto o capítulo
dois mil pra sem
pre, adiante
19Ignorando o som
não sonoro de care
tas e picare
tas
14Dessa vida terrestre, meu ve
neno é anti
14Não demoro, uso o mic como antído
to
13Extra
í rimas das minas da minha mente
14Tomo pra mim a sorte de um
principiante
8Minha lí
rica vendetta?
15Vin
gança verbal con
tra atitu
des deprimentes
21Isolo dementes em recipientes, eficien
temente mortal
18Pulve
rizo o lixo ao invés de torná-
lo espacial
11Me contamine em
outro planeta
19Mercú
rio, minha terra natal, assistiu de
ultra luneta
16O lugar dei
xar de existir des
truído por um
mal
13Cha
mado "a maioria";
alguns, não todos
13Existindo
em gênio,
verso e prosa
9Veredas ras
gam grandes sertões
22E visualizo
tudo isso através dos guias de
Guimarães Rosa
16Acho a roda e me transformo nela como Ni
no
14Águia, sobrevoo vivei
ros e abrigos
28Ga
to, entro pela janela e expulso
estranhos do ninho desde menino, ilumi
no
24O caminho por onde cami
nho na velo
cidade máxi
ma da luz da ve
la
20Alguns preferem
corpos metálicos
de carros, tipo Tes
tarosa
19Enquan
to bolo com corpos femininos be
los como o dela
19E eu cei
o no cio com dois
mil e duas a
ções e orações
15Em triân
gulos equiláteros
que tomam posse
9E faço de mi
nha capela
14Que
nem a Copa do Mundo, a bossa é nossa
19Mas é só mais um boçal quem vei
o pra cima de mim
cheio dela
15Indivíduo perten
cente ao grupo dos
mesmos
12Confunde mortos, feridos e enfer
mos
11Com estes
nunca, nunca me com
pare
18Sou
franco-ati
rador, mas nun
ca, nunca atiro a
esmo
11Mortos-vivos ma
tam em todo lugar
8Já morreram em si mesmos
5Meu compro
misso?
11Penso e faço
algo sobre
isso
17Pra, no futuro, um brinde com os
filhos dos nossos
filhos
16Pra termos a que bebermos no ter
ceiro milê
nio
9De di
versão, abastecer
mos
6Não há abstêmi
os,
10colher as louras como prêmi
o
17Com gás do amador um, experiência da sêni
or
13Termino co
municando que exter
mino
6Sementes de
Hitler
11Enquanto o som estremece o chão
11No mais alto grau da escala Rich
ter
7Transmis
são encerrada
[Outro: Mário Seixas]
14Sinto
minhas raízes presas a este
mundo
16Mas
minha consciência vi
aja pelas es
trelas
9Aguardando um novo
dia
16Um
novo dia seguro, como
um fruto ma
duro
10Como e alimento a
alma
8Levantando, acordando
5Pronto pra
vida
7Pra uma nova
vida
9Pronto
pra uma nova
vida
9Curado de qualquer fe
rida