Bispo Jovem Madrugador

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End rhyme Internal rhyme
[Verso 1]

12Dia nem sempre começa ao acordar
12Há sempre quem espere a noite chegar
12Porque também se vive de madrugada
11Onde tudo se faz, mas, na calada
17O G era um jovem fechado, em casa era calado
18Despreocupado, mas na street sempre deu conta do recado
15Procurado p'a tudo, ele era respeitado
15Euros criam produto, G fornecia telemóvel
14Tocava de noite ou de dia, o G 'tava bem
23'Tava oriеntado, rodeado de pequеnas e tropas por todo o lado
11Cresceu sem amor, cresceu sem afeto
7Fechado, revoltado
19Fazia o que achava certo, começou cedo na má vida
13Ficou experiente, a noite caía
12E ele dava o seu expediente
16Bastava a noite cair e o silêncio chegar
8P'ró jovem Rui G se preparar
11Gorro na cabeça, shot na cintura
14Mais uma madrugada, mais uma aventura
14E eu sozinho no silêncio habitual
16Ourivesarias, cafés ou material kilo a kilo
21A branca rendia, e o dinheiro que entrava, tudo resolvia

[Verso 2]

15Mano naquela noite, ah porque "não estava bem"
12Sentado, pensando, sentiu-se sem ninguém
15Sem rapepa, sem pequena, pensamento no além
14Sentimento de revolta pela morte da mãe
16Cabeça 'tava distante, nada saía direito
17A gente tinha um plano, não queria perder respeito
13Encapuzado e com objetivo de pé
15O jovem madrugador tinha feito mais um café
17Tinha se tornado rotina, madrugadas a trabalhar
14Assaltos e esquemas, nada podia parar
17O jovem tinha clientela, 'tava sempre a despachar
1419 anos de idade não o faziam recuar
18Pai alcoólico fora de casa, madrasta no casino
11Rui G mergulhado na branca sozinho
18Soube por telefonema que vinha um filho a caminho
15Afogou-se por completo no garrafão de vinho
17Deixou o tempo passar e as dividas apareceram
16A vontade e a necessidade, o que perderam
12Deixou de lucrar para se satisfazer
19Com o vício perdeu a cabeça e acabou por se foder
11Rui G pensa que tem tudo controlado
16Tele já não tocava mas não 'tava preocupado
18Umas fezadas iam voltar a trazer estabilidade
16Mas o consumo passou de um hobby a necessidade
6A necessidade

[Verso 3]

15Rui G 'tava de baixo de olho, era vigiado
17Os superiores não confiavam no jovem coitado
15Era trabalho a mais, tráfico e aventura
12Rui G 'tava louco, é problemas sem cura
14Saiu de casa já com um puto a seu cuidado
16A dívida aumentou, Rui G 'tava desorientado
15Fugiu com o puto e com a branca sem direção
15Logo se aperceberam, começou perseguição
14Dinheiro em atraso, promessas não cumpridas
16Rui G 'tava com o puto, 'tavam em jogo duas vidas
11Instalou-se numa obra parada
17Deixou o puto aos cuidados d'uma prima afastada
18A vida é um jogo, e o jogo torna-se perigoso
15Mas Rui G era louco, confiante, e corajoso
15A madrugada chegou, chegou a hora de bulir
16'Tava tudo rotinado, nada o ia impedir
14Sentado no carro pensando no melhor local
13merda na cabeça num clima infernal
13Filho procriado, tudo lhe corria mal
20O dinheiro 'tava a faltar, e a necessidade era real
16Juízo na cabeça, lá fora um mundo inteiro
15Rui G queima d'uma pica acendendo o isqueiro
[Verso 4]

15E à pala do dinheiro queriam-lhe agarrar
8Traficantes 'tavam perto
9A pressão 'tava a aumentar
12Rui G nervoso, não sabia o que pensar
15Indeciso e pensador, receando avançar
16Jovem madrugador tinha medo de ser agarrado
15Gente abusada é um destino complicado
10Mas Rui G 'tava sem medo de morrer
14Nem percebeu bem o que podia acontecer
11Do nada Rui G viu-se encurralado
159 milímetros na cabeça e foi assassinado
11Do nada Rui G viu-se encurralado
159 milímetros na cabeça e foi assassinado
7E foi assassinado