Belchior Balada De Madame Frigidaire

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End rhyme Internal rhyme
21Ando pós-modernamente apaixonado pela nova geladeira
20Primeira escrava branca que comprei, veio e fez a revolução
30Esse eterno feminino do conforto industrial injetou-se em minha veia, dei bandeira!
24E ao por fé nessa deusa gorda da tecnologia gelei de pura emoção!
26Ora! desde muito adolescente me arrepio ante empregada debutante
26Uma elétrica doméstica então... Que sex-appeal! Dá-me o frio na barriga!
27Essa deusa da fertilidade, ready made a la Duchamp, já passou de minha amante
24Virou super-star, a mulher ideal, mais que mãe, mais que a outra... Puta amiga!
24Mister Andy, o papa pop, e outro amigo meu xarope se cansaram de dizer:
27Pra que Deus, Dinheiro e Sexo, Ideal, Pátria, Família pra quem já tem frigidaire?
21É Freud, rapaziada! Vir a cair na cantada dum objeto mulher
26Eu me confundo, madame! E a classe média que mame se o céu, a prazo, se der!
23Que brancorno abre e fecha sensual dessa Nossa Senhora Ascéptica!
23Com ela eu saio e traio a televisão, rainha minha e de vocês
28Dona frigidaire me come... But no kids double income! Filho compromete a estética!
24Como Edipo-Rei momo, como e tomo tudo dela... Deleites da frigidez!
21Inventores de Madame Frigidaire, peço bis! Muito obrigado!
20Afinal, na geladeira, bem ou mal, pôs-se o futuro do país
26E um futuro de terceira, posto assim na geladeira, nunca vai ficar passado
27Queira Deus que no fim da orgia, já de cabecinha fria, eu leve um doce gelado!
24Mister Andy, o papa pop, e outro amigo meu xarope, se cansaram de dizer:
28- Pra que Deus, Dinheiro e Sexo, Ideal, Pátria, e Família pra quem já tem frigidaire?
21É Freud, rapaziada! Vir a cair na cantada dum objeto mulher...
26Mas que trocadilho infame! La vraie Ballade des Dames du Temps Jadis... au contraire!