[Ana Moura]
11Foi no domingo
passado que
passei
13À casa onde vivi
a a Mariquinhas
9Mas
está tudo tão mudado
8Que não vi
em nenhum lado
12As tais jane
las que tinham tabu
inhas
8Do rés do
chão ao telhado
8Não vi nada, nada,
nada
13Que pudesse recor
dar-me a Mariquinhas
13E há um
vidro pegado e azulado
9Onde vi
a as tabu
inhas
[José Silva]
15Entrei e onde e
ra a sala agora es
tá
15À
secretária um sujei
to que é lin
grinhas
8Mas não
vi colchas com
barra
8Nem
viola nem gui
tarra
13Nem espreitadelas furtivas das vi
zinhas
8O tempo cravou a gar
ra
8Na alma daquela
casa
13Onde às vezes
petiscávamos sar
dinhas
13Quando em noi
tes de guitarra e de
farra
11Estava ale
gre a Mariquinhas
[Ana Moura]
12As janelas tão garri
das que ficavam
12Com cortinados de chi
ta às pintinhas
9Perderam de
todo a graça
10Porque é hoje
uma vidraça
12Com
cercaduras de la
ta às voltinhas
8E lá p'ra
dentro quem passa
9Hoje é p'ra ir aos pe
nhores
14En
tregar ao usurário
umas coisinhas
14Pois chega a esta desgraça
toda a graça
8Da casa
da Mariquinhas
[José Silva]
14Para terem feito da casa o que fize
ram
13Melhor fo
ra que a man
dassem p'rás alminhas
7Pois ser casa
de penhor
8O que foi viver
de amor
12É ideia que não cabe cá
nas minhas
7Recordações
do calor
8E das saudades
o gosto
9Que eu vou procurar
esquecer
5Numas
ginjinhas
11Pois dar de beber à dor é
o melhor
9Já dizia a Mariqui
nhas
[Ana Moura]
11Pois dar de be
ber à dor
é o melhor
9Já dizia a
Mariquinhas