Ana-moura A Fadista

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End rhyme Internal rhyme
8Vestido negro cingido
8Cabelo negro comprido
8E negro xaile bordado
11Subindo à noite a avenida
9Quem passa julga-a perdida
10Mulher de vício e pecado
8E vai sendo confundida
9Insultada e perseguida
8P'lo convite costumado
8Entra no café cantante
9Seguida, em tom provocante
7P'los que querem comprá-la
8Uma guitarra a trinar
7Uma sombra, devagar
9Avança p'rò meio da sala
8Ela começa a cantar
9E os que a qu'riam comprar
10Sentam-se à mesa a olhá-la
10Canto antigo e tão profundo
8Que vindo do fim do mundo
8É prece, pranto ou pregão
9E todos os que a ouviam
9À luz das velas pareciam
7Devotos em oração
11E os que há pouco a ofendiam
9De olhos fechados ouviam
8Como a pedir-lhe perdão
8Vestido negro cingido
8Cabelo negro comprido
8E negro xaile traçado
5Cantando pr'àquela mesa
8Ela dá-lhes a certeza
8De já lhes ter perdoado
9E em frente dela, na mesa
10Como em prece a uma deusa
11Em silêncio, ouve-se o fado